quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Pneumatologia - A Doutrina do Espírito Santo.

                                     CETEPAV - CENTRO TEOLÓGICO PALAVRA DE VIDA,






                                       Pneumatologia - A Doutrina do Espírito Santo.

1 - A divindade do Espírito Santo.

Tudo o que vamos falar acerca do Espírito Santo, terá uma abordagem teológica, significa dizer que há um consenso no meio cristão quanto a divindade do Espírito Santo. O eterno Deus, o Pai, revela muito
de si mesmo nas Páginas Sagradas; de igual modo, o Filho. Mas o divino Consolador, não. Daí tratar-se este assunto de um insondável mistério, do qual devemos nos acercar primeiramente pela fé em Cristo (Rm 3.27). 
Nós não encontraremos na Bíblia qualquer discussão sobre esse tema, portanto, se a Bíblia não se encarrega de tal análise, vale dizer que, ao homem também foi vedada essa possibilidade, não há nem filosófica e nem teologicamente nada que o defina.
Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.
João 16:13.



A ilustração acima nos traz a ideia da existência de um só Deus, Deuteronômio 6, 4: "Ouve, ó Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é Um". 
Não há como levar adiante a compreensão de que existem três Deuses distintos, no paganismo politeísta sim, essa ideia é difundida em grande escala. Para o cristianismo, Deus é complexo, além do nosso entendimento, Deus é um ser só, mas um ser que subsiste em três pessoas distintas, como explicar isso, não há explicação, pois, ultrapassa nosso entendimento.

Fuja das analogias que tentam explicar o conceito da Triunidade. Lembre-se que o Pai é plenamente divino, o Filho é plenamente divino e o Espírito Santo é plenamente divino, dessa forma precisamos ter em mente que, o Pai não é o Espírito, o Filho não é o Pai e o Espírito não é o Filho.




Unidade da Trindade.
Igualdade entre as Pessoas.
Diversidade.

Quando erramos na diversidade, caímos no modalismo, como se cada uma das pessoas fosse uma variação da divindade.
Quando erramos na unidade, caímos no conceito de politeísmo, pensando que. na verdade estamos tratando de três deuses.
Quando erramos na igualdade, caímos no subordinacionismo, em que uma divindade está subordinada a outra, ou seja, uma pessoa teria um certo grau de superioridade sobre outra pessoa, não é o caso.

Essa unidade de estudo abordará a Teologia Sistemática, a Teologia Bíblica tratando da exegese, o entendimento dos textos e a Teologia Histórica, essa integração nos levará ao aprofundamento em diversas áreas que culminará na íntegra do nosso conhecimento. Precisamos, portanto, cercar esse assunto com a máxima compreensão das questões que envolvem a Trindade. [1]

Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. 
João 16:13.
Dentro da Teologia Sistemática o termo Trindade parece estar pacificado, como vemos na obra em uso para este módulo de estudos, porém, na Teologia Bíblica, por faltar o termo exato Trindade, centenas e milhares de teorias surgiram para tentar explicar a realidade da Trindade dentro das Sagradas Escrituras, o texto mais empregado como "prova" da Trindade na Bíblia é Lucas 3: 21,22.

E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. 

E quando falamos de Teologia Histórica, precisamos buscar fatos que foram introduzidos nas primeiras comunidades cristãs, colocando em duvida a própria Trindade, no Concílio de Constantinopla 381 EC, algumas dessas dúvidas foram "sanadas." 

Confirmação da doutrina da Trindade: O Concílio de Constantinopla confirmou a doutrina da Trindade, que afirmava que Deus existia em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Além disso, a posição do Espírito Santo como uma pessoa divina igual em essência ao Pai e ao Filho foi confirmada.

O Espírito Santo, como Deus, age de maneira multiforme. Em I Coríntios 2.4-12, o Espírito de Deus é mencionado de modo enfático como devendo ter toda primazia em nossas vidas, em nosso meio e em nosso trabalho. O espírito do homem, mencionado no versículo I I , só entende as coisas humanas, terrenas, naturais (Pv 20.27; 27.19; Jr 17.9). Nossa santificação deve, pois, prevalecer em nosso espírito, e daí abranger alma e corpo (I Ts 5.23). Na primeira passagem em apreço, o “espírito do mundo” também é mencionado (v. 12), o qual é pecaminoso e nocivo ao cristão. O aviso sobre isso, na Palavra de Deus, é enfático e claro (I Jo 2.15-17; 5.19; Jo 14.30; 17.14,16).

Seis diferentes “coisas” aparecem na passagem de I Coríntios 2.9-16: ( I ) as que Deus preparou para os que o amam (v.9); (2) as das profundezas de Deus (v. 10); (3) as do homem (v.I I); (4) as de Deus (v.I I); (5) as espirituais (v. 13); e (6) as do Espírito de Deus (v. 14). Um a dessas “coisas” alude à esfera humana; as demais são da parte de Deus. Isso denota a sua multiforme ação. Ainda tomando como base o texto de I Coríntios 2.4-14, vemos que o
Espírito Santo é mencionado juntamente com o Senhor Deus (vv.5,7,9-12,14). 

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

2 - Os atributos divinos do Espírito Santo.


Onipotência. O divino Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (SI 104.30). O Espírito Santo tem poder próprio. É dele que flui a vida, em suas dimensões e sentidos bem como o poder de Deus (SI 104.30; E f 3.16; At 1.8).
Isso é uma evidência da deidade do Espírito Santo. Ele tem autoridade e poder inerentes, como vemos em toda a Bíblia, máxime em o Novo Testamento.
Em I Coríntios 2.4, na única referência (no original) em que aparece o termo traduzido por “demonstração do Espírito Santo”, (ἀποδείξει Πνεύματος καὶ δυνάμεως) designa-se literalmente uma demonstração operacional, prática e imediata na mente e na vida dos ouvintes do evangelho de Cristo.
O poder do Espírito Santo, que evidencia a sua deidade, é também revelado em
passagens como Lucas 1.35, Jó 26.13 e 33.4, Salmos 33.6 e Gênesis 1.1,2. Esse divino
poder, como já afirmamos, é liberado através da pregação do evangelho de Cristo:

1) N a conversão dos ouvintes (At 2.37,38).
2) No batismo com o Espírito Santo para os novos crentes (At 10.44).
3) N a expulsão de espíritos malignos (At 8.6,7; Lc 11.20).
4) N a cura divina dos enfermos (At 3.6-8).
5) N a obediência dos crentes ao Senhor (Rm 16.19)

Onisciência. Esta é mais uma evidência da deidade do Espírito Santo, o qual 
sabe e conhece todas as coisas (I Co 2.10,11). Isso é um fato solene, mormente se considerarmos que Ele habita em nós: “habita convosco, e estará em vós” (Jo 14.17). A primeira parte dessa declaração de Jesus indica a permanência do Espírito Santo em nós (“habita convosco”); e a segunda, a sua presença constante dentro de nós ( “e estará em vós”).
Onipresença. O Espírito Santo está presente em todo lugar (SI 139.7-10; I Co 2.10). Atentemos para duas ênfases contidas nesses textos que evidenciam a onipresença do Espírito: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face?” e “O Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”.

Eternidade. Ele é infinito em existência; sem princípio; sem fim; sem limitação
de tempo (Hb 9.14). Ele estava presente no princípio, quando todas as coisas
foram criadas (Gn 1.1,2).
Outros atributos. O Espírito de Deus é denominado Senhor (2 Co 3.16-18); é descrito como Criador (Jó 26.13; 33.4; SI 33.4; 104.3; Gn 1.1,2; Ez 37.9,10); e é classificado e mencionado juntamente com o Pai e o Filho, o que, claramente, é uma grande evidência da sua divindade.
Eternidade. Ele é infinito em existência; sem princípio; sem fim; sem limitação de tempo (H b 9.14). Ele estava presente no princípio, quando todas as coisas foram criadas (Gn 1.1,2).

Outros atributos. O Espírito de Deus é denominado Senhor (2 Co 3.16-18); é descrito como Criador (Jó 26.13; 33.4; SI 33.4; 104.3; Gn 1.1,2; Ez 37.9,10); e é classificado e mencionado juntamente com o Pai e o Filho, o que, claramente, é uma grande evidência da sua divindade.
1) N a fórmula doutrinária do batismo nas águas (M t 28.19). Aqui a Bíblia não diz “nos nomes”, como se as três Pessoas da santíssima Trindade fossem uma só, mas “em nome” — singular — , distinguindo cada Pessoa existente em Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
2) Na invocação da bênção tríplice sobre a igreja (2 Co 13.13).
3) Na doutrina da habitação do Espírito Santo no crente (Rm 8.9).
4) N a descrição bíblica do estado do crente diante de Deus (I Pe 1.2).
5) Nas diretrizes ao povo de Deus (Jd vv.20,2I). Aqui o Espírito Santo é mencionado primeiro; em seguida, o Pai; por fim, o Filho.
6) N a doutrina da unidade da fé cristã (E f 4.4-6). Aqui também o Espírito é mencionado em primeiro lugar, seguido do Senhor Jesus e de Deus, o Pai.
7) N a saudação bíblica às sete igrejas da Asia (Ap 1.4,5).

3 - A Personalidade do Espírito Santo.

O que é personalidade? È o conjunto de atributos de várias categorias que caracterizam uma pessoa.
No seu aspecto psíquico, a personalidade consiste de intelecto, sensibilidade e vontade.
Os três são também chamados de inteligência, afetividade e autodeterminação.
No Espírito Santo vemos essa triplicidade de atributos da personalidade, a saber: intelecto: “ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (I Co 2 .1 1); sensibilidade: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus” (Ef 4.30); e vontade: “[O Espírito] repartindo particularmente a cada um como
quer” (I Co 12.1 1) e “a intenção do Espírito” (Rm 8.27). Como membro da unidade trina de Deus, o Espírito Santo é, pois, uma Pessoa. 
O fato de o Espírito ser um com Deus, com Cristo e, ao mesmo tempo, distinto deles é parte, como já dissemos, do grande e insondável mistério da Trindade Santa para a mente humana. O Espírito de Deus não é tão somente uma influência, um poder, uma energia, uma unção como os heréticos concluem
por si e assim ensinam, mas uma Pessoa divina e real.

4 - Terceira Pessoa da Trindade.

Deus é uno e, ao mesmo tempo, triúno (Gn 1.1, 26; 3.22; 11.7; D t 6.4; I Jo 5.7).
O Pai, o Filho e o Espírito são três divinas e distintas Pessoas. São verdades bíblicas que transcendem a razão humana e as aceitamos alegremente pela fé. A fé em Deus deve preceder a doutrina (I Tm 4.6).
Se a unidade composta do homem  espírito, alma e corpo  continua como um fato inexplicável para a ciência e para os homens mais sábios e santos, quanto mais a triunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
As três divinas Pessoas da Trindade são coeternas e iguais entre si. Mas, em suas operações concernentes à criação e à redenção, Deus, o Pai, planejou a criação de tudo (E f 3.9); Deus, o Filho, executou o plano, criando (Jo 1.3; Cl L I 6; H b 1.2; 1 1.3); e Deus, o Espírito Santo, vivificou, ordenou, pôs tudo, todo o universo, em ação: desde a partícula infinitesimal e invisível até ao super macroscópico objeto existente (Jó 33.4; Jo 6.63; G1 6.8; SI 33.6; T t 3.5). O u seja, o Pai domina, o Filho realiza, e o Espírito Santo vivifica, preserva e sustenta.

Na redenção da humanidade, o Pai planejou a salvação, no céu; o Filho consumou-a, na terra; e o Espírito Santo realiza e aplica essa tão grande salvação à pessoa humana. Entretanto, num exame cuidadoso da Bíblia vemos que, em qualquer desses atos divinos, as três Pessoas da Trindade estão presentes.

Uma tentativa de definição do trino Deus é: Deus Pai é a plenitude da divindade invisível (Jo I.1 8). Deus Filho é a plenitude da divindade manifesta (Jo I.I-I7 ). Deus Espírito Santo é a plenitude da divindade operando na criatura (I Co 2.12-16).
Para os sentidos físicos do homem, por condescendência de Deus, vemos as três Pessoas da Trindade no batismo de Jesus. O Pai eterno falou do céu, o Espírito Santo desceu em forma visível de pomba  uma alegoria , e o Filho estava sendo batizado no rio Jordão, para cumprir toda a justiça (M t 3.16,17).

[1] Nota do autor.
Teologia Sistemática Pentecostal - Antonio Gilberto - Página 174-179.

CETEPAV - CENTRO TEOLÓGICO PALAVRA DE VIDA.

PNEUMATOLOGIA - A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO.

A Atuação do Espírito Santo a Partir do Pentecostes.

Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.
2 Coríntios 4:2.
Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. 1Timóteo 1:13.
Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou. Hebreus 8:5.
Há um padrão ético que precisa ser seguido com intensa fidelidade, não pode haver espaços para reformas segundo os padrões humanos, se deixar por conta do pensamento e habilidade do homem, por óbvio haverá um naufrágio (N.E.).

E os que a edificam devem atentar para o que está escrito em I Coríntios 3.10: “Segundo a graça de Deus que foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”, pois a obra de cada um se manifestará (v. 13).
Cuidado, os edificadores da igreja; os que fazem discípulos para o Senhor (Mt 28.19).
Os discípulos de Jesus recebem a grande comissão, porém, em certo ponto, se viram órfãos e presumiram em seus corações que a promessa do Consolador estava de certa forma demorando em seu cumprimento, essa realidade podemos perceber quando lemos João 21, porém, Jesus mais uma vez se manifesta aos seus Talmidim, informando-os que eles deveriam retornar ao local indicado para que então a promessa do Pai se cumprisse, o dia de Pentecostes.

O significado de Pentecostes.

Em Levítico 23, Deus estabeleceu sete festas sagradas para Israel observar, as quais
prefiguravam, de antemão, todo o curso da história da igreja. Essas festas sagradas falam também do caráter alegre que caracterizaria a igreja, pois festa pressupõe alegria. E Jesus sempre foi um homem alegre, apesar de viver à sombra da horrenda cruz!
Das sete festas sagradas de Israel, a quarta era a de Pentecostes (Lv 23.15,16), também chamada de Festa das Semanas (D t 16.10) e Festa das Colheitas (Ex 23.16). A Festa de Pentecostes ocorria no terceiro mês, Sivã, e durava um dia, dia 6 de Sivã, mês que corresponde mais ou menos ao nosso junho.

A Festa de Pentecostes era precedida de três outras festas conjuntas: Páscoa: 14 de Abibe (um dia); Pães Asmos: de 15 a 22 de Abibe (sete dias); Primícias: 16 de Abibe (um dia). As três levavam oito diase eram celebradas no mês de Abibe, o primeiro do calendário sagrado de Israel. O primeiro mês do calendário civil era Tisri, que corresponde mais ou menos ao nosso outubro.
Pentecostes era a festa central das sete que o Senhor determinou para Israel observar, conforme Levítico 23. Ou seja, eram realizadas três festas antes de Pentecostes, e três, depois (3 + 1 + 3 ). Isso fala da importância do batismo com o Espírito Santo para a igreja, e do equilíbrio espiritual que resulta dele.
Ninguém sabe, ao certo, o dia do Natal de Cristo, nem o da sua morte, porém todos sabem o dia da sua ressurreição (primeiro dia da semana), bem como o dia de Pentecostes (quinquagésimo dia após as Primícias). Depois das Primícias, contavam se sete semanas, vindo a seguir o dia de Pentecostes (7x7 semanas mais um dia= 50 dias).

Há, pois, uma profecia típica na Festa de Pentecostes, que falava da ressurreição de Cristo (Lv 23.15; I Co 15.20). Isso mostra também que sem Páscoa — isto é, o Cordeiro de Deus morto e ressurreto não teríamos Pentecostes!
Mas faz-se necessário explicar a profecia típica da Festa de Pentecostes. Na festa das Primícias era movido perante o Senhor um molho (um feixe) de espigas de trigo (Lv 23.10,11). N a Festa de Pentecostes eram movidos perante o Senhor dois pães de trigo (Lv 23.15-17). Isso falava da igreja, que seria composta de judeus e gentios — formando um só corpo, o Corpo de Cristo (Ef 2.14; Jo 11.52). Quanto ao feixe de espigas, isso fala de união, mas os pães vão além: representam unidade (Ef 4.3). Num a espiga, como é fácil verificar, os grãos estão presos a ela, mas distintos uns dos outros.

Um som vindo do céu.

No dia do prometido derramamento de poder celestial, a Palavra de Deus diz que veio do céu um som como de um vento (At 2.2). O que está ocorrendo atualmente em sua vida, em sua igreja, em seu movimento religioso? Isso tudo vem mesmo do céu? O u vem simplesmente dos homens? Leia Jeremias 17.9. Ou vem do astuto Enganador?
É importante que reflitamos sobre a origem daquilo que sentimos. O verdadeiro revestimento de poder do Espírito vem do Alto (Lc 24.49; At 11.15), mas a Palavra de Deus nos alerta 
quanto a “outro espírito” (2 Co II.4 ).

Sabemos que no Cenáculo as pessoas se reuniram em torno de um propósito: Aguardar a promessa do Pai, observe porém que, já naqueles tempos haviam pessoas que não perseveravam conjuntamente com os outros, o retrato típico da emoção posta à frente da razão, a falta de confiança nas promessas de Deus nos leva para longe dos Seus propósitos, Deus sempre levantará um remanescente, não tem a ver com o ser, mas sim, com aquilo que Ele prometeu, o cumprimento é certo, mais uma vez, não depende do homem. Devemos atentar para tanto, que o Espírito Santo se manifestou muito antes dessa data, isso significa que, a ação do Espírito Santo é conhecida desde a criação de todas as coisas, o Espírito de Deus, se fez presente no evento da criação.

Ministrações do Espírito ao Crente.

O novo nascimento pelo Espírito (Jo 3,3-8). O novo nascimento abrange a regeneração e a conversão, que são dois lados de uma só realidade. Enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser nascido de novo deve demonstrar isso no seu dia-a-dia. A expressão “de novo” (v.3), de acordo com o texto original, significa “nascer do Alto, de cima, das alturas”. Isto quer dizer que se trata de um nascimento espiritual realizado pelo Espírito Santo. O homem natural, portanto, desconhece esse novo nascimento (vv.4-12; Jo 16.7-11 ;Tt 3.5).

A habitação do Espirito no crente (Jo 14.16,17; Rm 8.9). No Antigo Testamento, o Espírito agia entre o povo de Deus (Ag 2.5; Is 63.1 Ib), mas com o advento de Cristo e por sua mediação, o Espírito habita no crente (Jo 20.21,22). Este privilégio é também reafirmado em I Coríntios 3.16; 6.19; 2 Coríntios 6.16; e Galatas 4.6. O testemunho do Espírito de que somos filhos de Deus (Rm 8.15,16). Esse testemunho é uma plena convicção produzida no crente pelo Espírito Santo de que Deus é o nosso Pai celeste (v. 15) e de que somos filhos de Deus: Ό mesmo Espírito testifica... que somos filhos de Deus” (v. 16). E, pois, um testemunho objetivo e subjetivo, da parte do Espírito Santo, concernente a nossa salvação em Cristo.

A santificação posicional do crente. A santificação sob este aspecto é perfeita e completa “em Cristo”, mediante a fé. Ela ocorre por ocasião do novo nascimento (I Co 1.2; H b 10.10; Cl 2.10; I Jo 4.17; Fp I.I), sendo simultânea com a justificação “em Cristo” (I Co 6.11; G1 2.17a).
O batismo “do”ou “pelo”Espírito Santo (I Co 12.13; G13.27; Rm 6.3). Este batismo “do” ou “pelo” Espírito é algo tão real, apesar de ser espiritual, que a Bíblia o denomina como “batismo”. Em todo batismo, é evidente, há três pontos inerentes: um batizador; um batizando; e um meio em que o candidato é imerso. O batismo “com” ou “no”Espírito Santo (At 1.4, 5, 8; 2.1-4; 10.44-46; 11.16; 19.2-6). A evidência física desse glorioso batismo são as línguas sobrenaturais faladas pelo crente conforme o Espírito concede. È uma ministração de poder do Alto pelo Espírito, provida pelo Pai, mediante o Senhor Jesus (Jo 14.26; At 2.32,33). Como esse assunto merece um tópico à parte, o analisaremos abaixo.

No batismo pelo Espírito Santo, o batizador é o Espírito de Deus (I Co 12.13); o batizando é o novo convertido; e o elemento em que o recém-convertido é imerso, a Igreja, como corpo místico de Cristo (I Co 12.27; E f 1.22, 23).
Portanto, o Espírito Santo realiza esse batismo espiritual no momento da nossa conversão, inserindo o crente na Igreja (M t 16.18). Logo, todos os salvos são batizados “pelo” Espírito Santo para pertencerem ao corpo de Cristo — a Igreja, mas nem todos são batizados “com” ou “no” Espírito. A santificação progressiva do crente (I Pe 1.15,16; 2 Co 7.1; 3.17,18). Essa verdade é declarada no texto original de Hebreus 10.10,14. No versículo 10, a ênfase recai sobre o estado ou a posição do crente — santo: “Temos sido santificados”. O versículo 14, no entanto, não só reafirma o estado anterior, “santo”, como declara o processo contínuo de santificação em nosso viver aqui e agora proveniente de tal posição: “sendo santificados”.

A oração no Espírito (Rm 8.26, 27; E f 6.18; Jd v.20; Zc 12.10; I Co 14.14,

15). Esta ministração do Espírito no crente, capacita-o a orar, inclusive a interceder por outros. Logo, só podemos orar de modo eficaz se formos assistidos e vivificados pelo Espírito Santo. A “oração no Espírito” de que trata Judas, no versículo 20, refere-se a essa capacidade concedida pelo Espírito.
O Espírito Santo como selo e penhor (2 Co 1.22; Ef I.I3, 14; 4.30; 2 Co 5.5). Devemos observar que, nos tempos bíblicos, o selo era usado para designar a posse de uma pessoa sobre algum objeto ou coisa por ela selada. Por conseguinte, indicava propriedade particular, segurança e garantia. Este selo, portanto, não é o batismo com o Espírito Santo, mas a habitação do Espírito no crente, como prova de que o mesmo é propriedade particular de Deus.

Juntamente com o selo é mencionado o “penhor da nossa herança” (Ef I.I4).
De modo semelhante ao selo, o penhor era o primeiro pagamento efetuado na aquisição de uma propriedade. Mediante esse “depósito”, a pessoa assegurava o objeto como sua propriedade exclusiva. Assim, o Senhor deu-nos o Espírito Santo, como garantia de que somos sua propriedade exclusiva e intransferível. O Senhor Jesus “investiu” em nós imensuráveis riquezas do Espírito como penhor ou garantia de que muito em breve Ele virá para levar para Si sua propriedade peculiar, a Igreja de Deus (T t 2.14).

A unção do Espírito para 0 serviço. Jesus, nosso exemplo, foi ungido com o Espírito Santo para servir (At 10.38; Lc 4.18,19). Assim também a igreja recebeu a unção coletiva do Espírito (2 Co 1.21,22), mas alguns de seus membros são individualmente ungidos para ministérios específicos, segundo os propósitos de Deus. Vejamos a unção do Espírito sobre o crente, conforme I João 2.20,27.
1) “Tendes a unção do Santo”. Esta unção santifica e separa o crente para
o serviço de Deus.
2) “E sabeis tudo”. Também proporciona conhecimento das coisas de Deus
em geral.
3) “Fica em vós” (v.27). Ê permanente no crente.
4) “Unção que vos ensina todas as coisas” (v.27). E didática, pois possibilita
ensino contínuo das coisas de Deus.
5) “E verdadeira” (v.27). Não falha, pois procede da verdade, que é Deus.
6) “E não é mentira” (v.27). È sem dolo; sem falsidade. È possível que houvesse
entre certos líderes daqueles dias uma falsa unção, que imitava a verdadeira.

Na conclusão de 2 Coríntios 3, prorrompe jubiloso o sacro escritor, a respeito da glória do ministério do Espírito: “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (v. 18). 
Todas essas maravilhosas ministrações e dádivas do Espírito Santo, dispensadas aos filhos de Deus (2 Co 3.8), são necessárias para fazermos a obra do Senhor no poder do Espírito, a fim de que muitas almas sejam salvas.









quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A Imagem e Semelhança de Quem Mesmo?

 A Imagem e Semelhança de Quem Mesmo?


O dia raiou, você acorda e inicia sua jornada e entre uma tarefa e outra, não custa nada dar aquela espiadinha de leve nas principais redes sociais, afinal, nada como acordar bem informado não é mesmo?
De repente somos bombardeados logo nos primeiros minutos por todo tipo de distração possível tanto para o bem quanto para o mal. Essas distrações fazem parte do nosso cotidiano então, consumimos tudo sem nos dar conta de que o tempo nesse ambiente virtual passa muito rápido. 

Entre um clique e outro o tempo vai se esvaindo entre os dedos literalmente, é tudo muito sutil, quase imperceptível, algumas demandas então nos são oferecidas, um compartilhamento, uma curtida em um vídeo ou postagem na foto de um amigo afinal, esse será o assunto das conversas ao final do dia. 

Há um texto interessantíssimo na Bíblia que nos remete ao como as distrações em nossa volta podem nos fazer esquecer da Pessoa de Jesus, você conhece o texto a família sobe a Jerusalém para o dia do sacrifício anual e quando retornam para casa se dão conta de que haviam esquecido o jovem Jesus, provavelmente a mãe e o pai eram os mais desesperados entre os outros então, tomam caminho de volta e assim que chegam encontram o jovem Jesus entre os doutores. Será que o jovem Jesus havia premeditado esse acontecimento? Será que planejara de antemão estar entre àqueles doutores?

O fato é que, as distrações por mais inocentes que possam parecer é um campo fértil para o inimigo nos afastar das coisas que dizem respeito ao Reino de Deus. Por outro lado, o hábito pode se transformar numa arma poderosa contra essas distrações, a vida espiritual precisa de manutenção diária, penso eu que é como um relógio antigo de corda que com o passar das horas vai afrouxando a mola e ficando distensionado até o ponto de parar. As disciplinas espirituais são as mãos nesse mecanismo de manutenção da rigidez da vigilância. Vigiar e Orar requer disciplina, é um hábito diário que se negligenciado pode custar a vida pessoal ou de uma comunidade inteira.

Uma noite de negligência e falta de vigilância com a suposição de que jamais seriam alcançados pelo inimigo tamanha era a fortaleza e capacidade humana disponível levou Sardes a uma derrota acachapante diante do Rei da Lídia, você conhece a história, Jesus a relata em Apocalipse capítulo três citando principalmente a falta de vigilância resultado da arrogância em entender que estava segura e não mais precisava se preocupar com o inimigo em redor.

Qual tem sido pela manhã o nosso primeiro pensamento? 

Essa é uma questão crucial, deveríamos acordar com Ele em mente, nosso primeiro bom dia, nossa primeira visão, nosso primeiro escutar deveria vir Dele. Fomos assolados antes de dormir com a luz apagada e a tela ligada ainda querendo um último suspiro das redes sociais, vamos dormir plugados e acordamos ligados sem perceber que assim com José e Maria estamos fazendo nossa jornada de volta para casa sem perceber que Jesus ficou pelo caminho.

Criticamos por vezes os escribas e doutores da Lei porém, em meio ao ensino e doutrina do jovem Jesus, os únicos que ficaram ouvindo o jovem rabino eram aqueles que, mantinham suas disciplinas espirituais em dia com Adonai. Que nossa reflexão seja sempre voltada para quem somos em Deus e que Sua Imagem e Semelhança ainda possam fazer diferença em nós, que Ele cresça.

Amém.



 












 

terça-feira, 31 de outubro de 2023

A tradição apologética cristã.

 


A tradição apologética cristã.
  

Por Robert M. Bowman, Jr.

Tradução: Elvis Brassaroto Aleixo.


Nesta primeira década do novo milênio, os cristãos evangélicos - que com dedicação estão "defendendo e confirmando o evangelho" (Fp 1.7) - têm diante de si uma tarefa assustadora. Embora mais de um bilhão de pessoas na terra professem ser cristãs, centenas de milhões delas são meramente cristãos nominais ou culturais, ou seguidores do liberalismo, ou de outras distorções, pouco ortodoxas , da fé cristã. Entretanto, no Ocidente, a maioria das pessoas nem sequer professa ser cristã. Pelo contrário, são seguidoras ou dos "deuses" do secularismo e do materialismo , ou das crenças alternativas, tais como: o islamismo e o movimento da Nova Era.

Os cristãos têm enfrentado, cada vez mais, esse desafio, e mergulhado no ministério da apologética - a defesa da fé cristã contra o desafio do pensamento dos incrédulos. Mas, ao agirem dessa forma, frequentemente se acham incertos a respeito da melhor maneira de levar adiante a defesa da fé a que se propõem. A realidade é que, durante a maior parte do século XX, os cristãos evangélicos envolvidos na apologética ficaram divididos entre si no tocante às questões da metodologia apologética - os métodos ou estratégias usados para confrontar a incredulidade. Nesses últimos vinte e tantos anos, progressos relevantes têm sido alcançados no sentido de sanear essas divisões, mas ainda falta muita coisa para ser feita.

Nesta matéria, além de passarmos em revista a história dessas controvérsias a respeito da metodologia apologética, apresentaremos uma análise do estado da apologética evangélica atual. Nosso alvo não é oferecer um estudo exaustivo do assunto, mas familiarizar o leitor com as questões envolvidas. Este estudo deve revelar-se útil a todos os cristãos que desejam seriamente participar da apologética.


As origens da apologética atual.


A apologética evangélica atual deve muita coisa aos esforços apologéticos de cristãos no decurso da história da Igreja. Por sua vez, a história da apologética cristã está estreitamente relacionada com a história da filosofia ocidental. Obviamente, passar em revista aqui uma história completa da apologética e da filosofia ocidental está fora de cogitação. Assim, faremos um breve resumo daquilo que é essencial e sugerimos aos leitores que não se privem de verificar as notas que utilizaremos para clarificar o significado de alguns termos técnicos, pois julgamos que tais notas são imprescindíveis para a compreensão da matéria.


Aurélio Agostinho.


Para muitos, toda a apologética cristã remonta à mente fértil de Agostinho (354-430), teólogo mais influente da Igreja primitiva. Embora Agostinho fosse grandemente influenciado por Platão , como cristão rejeitava os conceitos pagãos que Platão tinha de Deus e, no decurso dos anos, seus pensamentos ficaram progressivamente mais livres do platonismo. Sustentava que, a fim de conhecermos e entendermos a verdade, devemos, primeiramente, crer na revelação divina, ter fé nela. Mas, ao mesmo tempo, afirmava que a revelação divina vem a nós numa forma racional ou inteligível, de modo que o nosso raciocínio é uma condição prévia para que possamos receber a revelação. Agostinho considerava a criação, os milagres e as profecias cumpridas como evidências em favor da veracidade do cristianismo. Entretanto, sua abordagem apologética principal era argumentar que a existência do Deus trino e uno revelado na Bíblia e proclamada pela Igreja era o fundamento de toda a verdade e moralidade, e que o conhecimento a respeito de Deus é percebido pela iluminação divina.

A partir do pensamento dinâmico e diversificado de Agostinho, é possível enfatizar dois aspectos diferentes. O primeiro deles é a ênfase que atribui à fé que antecede, mediante a iluminação, o entendimento e o conhecimento. Esse é, sem dúvida alguma, o aspecto mais destacado da abordagem de Agostinho na apologética, e essa ênfase pode servir de base para uma apologética que nega a possibilidade de um não-cristão ir caminhando sozinho, por seu próprio raciocínio, até a fé cristã. Se houvesse alguma "prova" tradicional da existência de Deus na apologética de Agostinho, esta seria o "argumento ontológico", posteriormente formalizado por Anselmo (1033-1109). O argumento ontológico observa que Deus é maior que todos os seres concebidos (e tudo o que se possa imaginar), simplesmente porque existe na mente do homem um conhecimento básico da existência de Deus. Como pensar que Deus não existe sem a pré-suposição de sua existência? Ou seja, para conceber a ideia de que Deus não existe, antes, é lógico conceber a ideia de que Ele existe.

O segundo aspecto da abordagem apologética de Agostinho está relacionado ao fato de que o raciocínio é, de alguma forma, anterior à fé. Ele sustentava que a revelação dirigia-se ao raciocínio humano para que a fé fosse percebida. Apelava, também, à existência e às maravilhas da criação como evidências da existência de Deus. E aos milagres e às profecias cumpridas como evidências do cristianismo. É possível fazer desse aspecto a base de uma apologética que convida o não-cristão a raciocinar seu caminho até a fé cristã. Desa forma, não nos surpreende que apologistas de várias perspectivas tenham reivindicado Agostinho como um deles.


Tomás de Aquino


Tomás de Aquino (1224-1274) foi, sem dúvida, o filósofo mais importante do cristianismo medieval. Sua filosofia desfruta, ainda hoje, de respeito generalizado. Ele procurava, deliberadamente, desenvolver uma apologética baseada na filosofia aristoteliana e, ao mesmo tempo, abandonava a teologia de Aristóteles , tão pagã como a de Platão.

Embora Aquino tivesse profundo respeito pela teologia de Agostinho, abandonou, deliberadamente, a abordagem agostiniana da apologética. Em primeiro lugar, Aquino defendia a fé cristã por meio daquilo que agora é conhecido como a "teologia natural". Enquanto Agostinho afirmava que obtemos conhecimento direto da existência de Deus mediante a iluminação divina, Aquino sustentava que podemos inferir a existência de Deus a partir do mundo natural. Rejeitava o argumento ontológico e desenvolveu vários argumentos em favor da existência de Deus a partir da existência e natureza do Universo. O raciocínio natural, portanto, pode averiguar a existência de Deus e de outras verdades teológicas básicas, que também se acham na revelação outorgada nas Escrituras. Outras verdades (tais como: a Trindade, a encarnação e a vinda do Espírito Santo) podem ser aprendidas somente na base da revelação bíblica. A veracidade dessa revelação pode ser comprovada ao raciocínio humano por meio dos argumentos tradicionais, como, por exemplo, os milagres, as profecias cumpridas e a influência positiva do cristianismo.


A Reforma Protestante.


Os reformadores protestantes do século 16 argumentavam que a Igreja medieval perdera teologicamente o seu caminho e que, por conseguinte, precisava voltar aos ensinos da Bíblia e da Igreja primitiva. Tanto Martinho Lutero quanto João Calvino deviam muita coisa a Agostinho, e incitavam a Igreja à voltar a uma teologia agostiniana.

Calvino, em especial, proclamava que a teologia natural (de Aquino) devia ser abandonada. Embora reconhecesse que Deus se revela de modo geral a todas as pessoas, tanto na consciência quanto na natureza, argumentava que essa "revelação geral" (conforme os calvinistas posteriormente a chamavam) é suprimida por todos os homens, por causa do pecado. Logo, as revelações especiais da parte de Deus são necessárias para "arrancar" os homens da sua incredulidade. E, agora, essas revelações se acham exclusivamente na Bíblia. Além disso, a veracidade da Bíblia só pode ser reconhecida pela obra iluminadora do Espírito Santo. Isso, no entanto, não significa que os argumentos filosóficos e históricos não são sadios, mas apenas que não têm a capacidade de levar os incrédulos ao conhecimento de Deus.


O cristianismo se confronta com a incredulidade.


Os pensadores cristãos, desde Agostinho até Calvino, geralmente se ocupavam mais em compreender a fé cristã que defendê-la. Nos tempos de Agostinho, o cristianismo já havia, em grande escala, vencido, tanto intelectual quanto politicamente na Europa e na África do Norte. Nos dias de Aquino, a ameaça principal ao cristianismo foi o islamismo. No período da Reforma, a confrontação intelectual principal foi entre os protestantes e os católicos. Na realidade, e isso durante mais de mil anos, a necessidade da apologética para a confrontação da incredulidade ateísta foi mínima.

Tudo isso começou a alterar-se no século 17, com a ascensão do "deísmo". O deísmo afirmava, originalmente, que a totalidade da fé cristã podia ser descoberta pela razão natural, mas se evoluiu até ser um movimento que sustentava que boa parte da crença cristã tradicional era contrária à razão. Pregava também a crença em um Criador, mas que não mantém envolvimento contínuo com o mundo e os eventos da história humana.

Depois, no século 18, foi a vez do ceticismo, doutrina filosófica daqueles que duvidam de tudo e afirmam que a verdade não existe e, caso existisse, o homem seria incapaz de conhecê-la. Essa corrente foi representada principalmente pelo filósofo escocês David Hume (1711-1776) e preparou o caminho para o Iluminismo, movimento que rejeitava todas as reivindicações da revelação divina e declarava a autonomia da razão humana. Hume era veementemente contra o argumento teleológico: argumento que raciocina com base na ordem e complexidade do mundo e no conceito de que ele (o mundo) fora elaborado por um Projetista inteligente. David Hume convenceu muitas pessoas de que este argumento e os argumentos baseados nos milagres eram infundados.

O filósofo iluminista Emanuel Kant (1724-1804) também alegava que podia refutar os argumentos cosmológico e ontológico em favor da existência de Deus. O argumento cosmológico pregava o seguinte: uma vez que cada coisa existente no Universo deve ter uma causa, deve haver um Deus, que é a última causa de tudo. Já o argumento ontológico já foi explicado no tópico em que abordamos a apologética de Agostinho.

Essas ondas sucessivas de ataques contra o cristianismo (deísmo e ceticismo) forçaram os cristãos ortodoxos a desenvolver respostas apologéticas. Semelhantes respostas, porém, variavam segundo as convicções teológicas dos apologistas e o conteúdo do ataque dos incrédulos. Por exemplo, os apologistas, na tradição teológica arminiana, procuravam enfrentar o deísmo e o ceticismo no próprio estado deles (por assim dizer), sempre refutando-os com a razão, somente. Daqui por diante, citaremos alguns apologistas importantes que, embora não sejam brasileiros, influenciaram, de alguma forma, a nossa apologética - uma vez que a nossa teologia se fundamenta, praticamente, em obras e pensamentos de outros teólogos, sobretudo, norte-americanos, ingleses e europeus.

Nesse campo, destacam-se o bispo Joseph Butler (1692-1752), cujo livro antideísta The Analogy of Religion [A analogia da religião], de 1736, ainda é amplamente debatido nos círculos eruditos, e William Paley (1743-1805), que empregou os argumentos de Butler para refutar Hume.

Um contemporâneo de Paley, Thomas Reid (1710-1796), calvinista escocês que desenvolveu uma filosofia chamada, agora, "O realismo do bom senso escocês", também foi muito importante. A filosofia de Reid, assim como a de Paley, era, em grande parte, uma resposta ao seu compatriota Hume. Enquanto Hume estivera cético, não somente quanto aos milagres e à existência de Deus, mas também quanto à questão da causa e efeito, do certo e errado, Reid sustentara que o nosso conhecimento de todas essas coisas era simplesmente uma questão de bom senso. Segundo Reid, os filósofos que questionam essas crenças comuns deixaram a teoria obscurecer o que era muito claro. Nossos conhecimentos de causa e efeito e de certo e errado são evidentes em si mesmos. São um aspecto incorrigível da nossa constituição como seres criados por Deus, quer reconheçamos ou não a existência de Deus.

A epistemologia (teoria do conhecimento) de Reid afirmava que é possível argumentar em favor da veracidade da revelação cristã, com base nas pressuposições do "bom senso", a respeito da natureza da verdade, da razão, da moralidade e do mundo. Chades Hodge (1797-1878), reconhecido teólogo calvinista, sustentava que, embora o raciocínio deva se submeter à revelação de Deus nas Escrituras, esse mesmo raciocínio deveria, primeiramente, discernir se as Escrituras são uma revelação da parte de Deus. Hodge também mantinha a validade dos argumentos tradicionais em favor da existência de Deus, e até mesmo recomendava as obras de Butler e Paley.

Nesse período, nos Países Baixos, o teólogo e político calvinista holandês Abraão Kuyper (1837-1920) desenvolveu a noção de uma "oposição" entre as respectivas mentalidades dos não-cristãos e dos cristãos. Essa oposição é tão nítida que os cristãos e os não-cristãos não podem compartilhar do mesmo ponto de vista nas questões de princípio fundamental. O não-cristão é incapaz de averiguar ou testar a revelação de Deus nas Escrituras, pois as Escrituras são a Palavra de Deus e, por conta disso, seus ensinos devem ser aceitos como primeiros princípios. Por outro lado, não se pode comprovar, diante do não-cristão, a veracidade do cristianismo tomando por base os argumentos filosóficos ou as evidências históricas, porque tais argumentos pressupõem os princípios cristãos. Não pode existir nenhum terreno comum ou neutro entre o cristão e o não-cristão. Logo, a apologética tradicional deve ser abandonada. Negativamente, os apologistas cristãos devem procurar desmascarar a raiz religiosa anticristã de todo o pensamento não-cristão. De modo positivo, devem procurar ser exemplos diante do mundo do seu cristianismo, reconstruindo a sociedade segundo os princípios bíblicos.

As ideias de Kuyper foram desenvolvidas até formarem uma filosofia completa por Herman Dooyeweerd (1894-1977). Segundo Dooyeweerd, a apologética tradicional, especialmente a de Tomás de Aquino, baseava-se na oposição antibíblica entre a natureza e a graça - ou seja, entre aquilo que o não-cristão pode saber pela sua natureza, mediante a razão somente, e aquilo que somente se pode saber mediante a revelação graciosa de Deus, por meio da fé. A tarefa da filosofia cristã era recomendar a visão de um mundo cristão e, ao mesmo tempo, fornecer uma base firme para o conhecimento e a ética.


Questões na apologética atual.


O breve histórico já visto da apologética cristã tocou em várias questões que continuam provocando debates e até mesmo controvérsias entre os cristãos. Desejamos, no restante desta matéria, chamar a atenção para algumas dessas controvérsias e oferecer breves comentários a respeito.


A filosofia e a apologética.

Na lista das questões que precisam ser examinadas, o relacionamento entre a filosofia e a apologética ocupa um lugar de destaque. Todos os grandes apologistas da Era pré-Reforma foram fortemente influenciados por Platão ou Aristóteles. Embora os referidos apologistas rejeitassem a teologia grega, sustentavam que os cristãos podiam legitimamente construir a sua filosofia mediante o uso das categorias e argumentos que se acham ou em Platão (Agostinho) ou em Aristóteles (Aquino).

A tradição reformista de Lutero e de Calvino tem feito que os evangélicos, de modo geral, mas especialmente os calvinistas, não fundamentem suas filosofias ou apologéticas na filosofia grega. Enquanto o platonismo tem bem poucos defensores entre os evangélicos hoje, o aristotelianismo, por sua vez, conforme foi reconstituído por Aquino, tem um defensor importante na pessoa influente de Norman L. Geisler.

As contribuições de Aristóteles à ciência da lógica revelaram ser ferramentas úteis à análise de argumentos, e permanecem sendo indispensáveis ao apologista. No seu entusiasmo de abandonar todas as filosofias pagãs, alguns apologistas e filósofos cristãos nos têm convidado a abandonar a lógica como se esta fosse uma invenção de Aristóteles. Esse é um grande erro. A Bíblia toma por certo os princípios da lógica. E as verdades da teologia cristã, embora estejam além da nossa compreensão total, não são ilógicas.

Nenhum apologista cristão pode evitar fazer sua defesa do evangelho desconsiderando as filosofias daqueles que deseja alcançar. Declaramos isso por duas razões. Vejamos:

Primeira. Historicamente, ninguém jamais conseguiu evitar fazer assim. Agostinho empregava formas platônicas de pensamento para refutar os sistemas religiosos platônicos e defender a fé cristã. Aquino empregava categorias e argumentos aristotelianos para comprovar a superioridade do cristianismo quanto ao islamismo (que também apelava a Aristóteles em busca de apoio). Butler e Paley responderam à negação do sobrenatural pelos deístas com argumentos em favor do projeto sobrenatural do Universo baseado nas observações científicas da natureza. Mesmo se fosse possível ou desejável construir uma apologética cristã que estivesse totalmente livre da influência das filosofias daqueles dias, é duvidoso que alguém já tivesse chegado a fazer isso.

Segunda. Pela sua própria natureza, a apologética cristã precisa abraçar o pensamento não-cristão empregando os próprios termos e categorias desse pensamento. O objetivo da apologética é oferecer aos não-cristãos um desafio para que abandonem sua cosmovisão incrédula e abracem a fé cristã. Para que os apologistas alcancem todos os ouvintes, devem falar segundo os termos e categorias que eles (os ouvintes) possuem.

Em nossa cultura ocidental, há uma multidão de filosofias e cosmovisões com diferenças enormes entre si, e que as pessoas seguem. A apologética cristã deve responder adotando várias formas e empregando categorias diferentes, se deseja realmente comunicar-se com mais de um só grupo de não-cristãos.

Devemos estar preparados para mostrar ao "deísta" que o cristianismo é verdadeiramente racional enquanto desafiamos as pressuposições racionalistas do próprio deísta.

Devemos estar preparados para mostrar ao "empiricista" que os fatos estão todos do nosso lado e, ao mesmo tempo, levá-lo a perceber que a realidade consiste em mais coisas que as que se veem.

Devemos, ainda, estar dispostos a argumentar diante do "pragmatista", defendendo que o cristianismo é a única filosofia da vida que realmente funciona - especialmente (mas não exclusivamente) a longo prazo - e isso enquanto também insistimos em que a verdade não pode ser sacrificada no altar da conveniência.

Resumindo, devemos compreender os não-cristãos e isso significa correspondê-los nos seus próprios termos, oferecendo-lhes respostas na linguagem de sua própria filosofia, sem, no entanto, deixar de lhes mostrar que a filosofia que defendem é inadequada, segundo as categorias da própria filosofia em questão. É justamente este o desafio para a apologética cristã.


Comprovando a existência de Deus.

Os argumentos em favor da existência de Deus caíram em tempos difíceis depois da crítica feita por Kant. As mais sólidas "provas cristãs", ou seja, os argumentos baseados no desígnio (propósito), também ruíram depois de Darwin, porque o evolucionismo parecia remover qualquer necessidade de um Criador-Projetista.

Essa marcha dos acontecimentos levou os evangélicos de várias abordagens apologéticas diferentes a abandonarem as comprovações cristãs. Alguns filósofos argumentam que a fé em Deus não precisa de nenhum apoio da parte de argumentos racionais, pois, na opinião deles, a fé em Deus é "básica pela natureza".

Mas nem todos os evangélicos têm perdido a esperança nas provas cristãs tradicionais. Em 1957, Stuart Hackett escreveu uma defesa vigorosa das provas cristãs. Hackett procurou responder à crítica famosa de Kant nos seus próprios termos e concluiu que a crítica de Kant das provas teístas tinha falhas. William Lane Craig, o aluno mais famoso de Hackett, escreveu, posteriormente, várias obras em defesa do argumento cosmológico (já conceituado anteriormente). Craig desenvolve esse argumento, mas não faz isso apenas de maneira dedutiva e filosófica, usa também as evidências científicas indutivas que demonstram que o Universo é finito e que teve um começo. As críticas kantianas do argumento cosmológico tinham tomado por certo que o Universo fosse, talvez, de tamanho infinito e de idade infinita. As teorias da "grande explosão originária" do Universo têm feito que os cientistas abandonem aquela pressuposição. Consequentemente, o argumento cosmológico está sendo resgatado e considerado entre os filósofos e os cientistas.

O argumento com base no desígnio (propósito) também tem recebido uma apresentação nova nos anos recentes. A teoria neodarwiniana da evolução naturalista tem sofrido vários golpes. Por exemplo: os cenários naturalistas para a vida que se origina de uma "sopa" primordial na atmosfera e oceanos primitivos do planeta Terra têm revelado ser inviáveis. O estudo da genética tem demonstrado que os seres vivos são ordenados de modo inteligente. Essas descobertas, entre tantas outras, têm encorajado filósofos e cientistas a argumentarem, de novo, que a ordem intricada e a complexidade da natureza indicam um Criador inteligente.

Quanto a esse assunto, os pressuposicionalistas se acham numa posição difícil. Por um lado, concordam que Deus existe e que se pode achar provas da sua existência na existência e propósito (desígnio) do mundo (Em tese, são de acordo que os argumentos em favor da existência de Deus são forçosamente viáveis quando apelam a esse desígnio). Por outro lado, ficam preocupados com aspectos que parecem ser falhos nos argumentos, conforme são tradicionalmente formulados. E, segundo a visão que possuem, os argumentos tradicionais não somente são logicamente falhos (conforme Kant já argumentara), como também comprometem a posição cristã. Esse comprometimento é visto em dois aspectos.

Primeiro, os argumentos chegam à conclusão de que meramente existe um Deus de algum tipo, mas não que existe o Deus único e verdadeiro, o Deus trino e uno da Bíblia. As provas cristãs só revelam um conceito abstrato de Deus e não o Deus concreto e real. Trata-se do "Deus dos filósofos" ao invés do "Deus de Abraão, de lsaque e de Jacó".

Segundo, os argumentos cristãos usualmente concluem apenas que Deus existe como probabilidade (Deus "provavelmente" existe) e não que a existência de Deus é absolutamente certa. Foi assim que aconteceu com os argumentos baseados no desígnio (propósito) e nos argumentos cosmológicos que apelam para as evidências científicas. Os pressuposicionalistas insistem em que um Deus cuja existência é apenas provável não é adequado para merecer a confiança total.

O que diremos diante dessas preocupações? Em nossa opinião, esses dois tipos de argumentos estão exigindo demais da apologética. Vejamos a primeira objeção, de que as provas cristãs oferecem tão-somente um conceito abstrato de Deus.

O propósito dos argumentos apologéticos não é levar o não-cristão a um encontro pessoal com Deus. É o Espírito Santo quem faz isso. O propósito da apologética é oferecer razões para que as pessoas acreditem que Deus existe e que tem certos atributos. Além disso, nenhum argumento apologético tem a obrigação e a pretensão de comprovar tudo a respeito de Deus.

A segunda objeção (a da mera probabilidade) também está exigindo da apologética um resultado exagerado. Se alguma coisa é absolutamente verdadeira, também é "provavelmente" verdadeira - a diferença é que, neste último caso, a probabilidade é de cem por cento! Nem todas as provas cristãs são probabilísticas, mas as que são não deixam de ter o seu valor. O propósito da apologética não é forçar os intelectos humanos a aceitarem conclusões que hostilizam e rejeitam. Antes, o objetivo da apologética é desafiar a incredulidade por meio do oferecimento de razões sólidas para a fé.


A teoria e a prática da apologética.

Tem sido quase universalmente tomado por certo que existe uma única teoria certa a respeito da apologética, e um só método, ou abordagem, certo quanto à prática da apologética. Na realidade, tem sido quase universalmente tomado por certo que, neste assunto, a teoria e a prática são a mesma coisa. Mas gostaríamos de questionar essas pressuposições. Em primeiro lugar, precisamos fazer uma distinção cuidadosa entre teorias a respeito da apologética e a prática da apologética. Ao estudo das teorias a respeito da apologética vamos chamar de "meta-apologética" (uma defesa da apologética), ao passo que quando citarmos a "apologética em si" nos referiremos à prática literal de defender a fé e desafiar a incredulidade.

Assim como um engenheiro estuda a física e a química, e as teorias a respeito da engenharia, como preparativo para a própria tarefa de construir coisas, assim também os apologistas devem estudar questões "meta-apologéticas" como preparativo para a tarefa de defender a fé. Uma coisa é debater entre nós mesmos as teorias a respeito dos efeitos do pecado sobre o raciocínio humano, outra coisa bem diferente é desafiar o raciocínio pecaminoso ou dar aos não-cristãos motivos para crerem que Deus existe. Embora a teoria deva informar a prática, ela, no entanto, não serve para substituir a prática. Assim como em todas as áreas da vida, podemos, também, aprender a apologética por meio da prática. É somente pelo enfrentamento com os não-cristãos em diálogo e desafios (levando-os a considerar as reivindicações de Cristo) que realmente aprendemos a apologética.

Ora, se a teoria é uma coisa, e a prática é outra coisa bem diferente, segue-se que nem todos os trabalhos de apologética devem ser realizados da mesma maneira. Já sugerimos que a apologética precisa oferecer tipos diferentes de respostas a pessoas com mentalidades filosóficas diferentes. Agora, queremos dar um passo além, e sugerir que as questões apologéticas dos tempos passados, embora ainda nos acompanhem, não são tão importantes quanto antes. Ainda existem em nosso meio, mas, atualmente, os maiores desafios à fé cristã no Ocidente são as falsas religiões, que incluem as religiões decididamente não-cristãs (tais como: o islamismo, o budismo, os cultos aos gurus hindus e o movimento da Nova Era) e outras versões heréticas do cristianismo (como, por exemplo, as testemunhas de Jeová, o mormonismo e o liberalismo, que tem tomado tanto o catolicismo quanto a maioria das denominações protestantes tradicionais). As metodologias apologéticas precisam ser diversificadas se pretendem ser eficazes e causar impacto sobre esses grupos diversos.

Não queremos dizer que vale-tudo. Algumas estratégias apologéticas são menos eficazes do que outras. Mas podemos aprender com todas elas. Além disso, algumas coisas estão constantes em todos os esforços apologéticos. Os não-cristãos, sejam quais forem as suas seitas religiosas, precisam ser confrontados com as mesmas verdades fundamentais.

Precisamos, porém, buscar a união na diversidade. Precisamos ter liberdade para desenvolver métodos complementares para a realização da apologética. Ao mesmo tempo, precisamos procurar combinar entre nós uma teoria compreensiva e unificada que forneça uma base para a prática da apologética. Até mesmo precisamos reconhecer e respeitar a verdade de que alguns crentes desenvolvem melhor a apologética na prática do que em sua teoria, e vice-versa. À medida que nós, os cristãos, com antecedentes diferentes e com uma variedade de dons, cooperarmos mutuamente e aprendermos uns com os outros, poderemos nos tomar mais eficazes em vencer os desafios da apologética nestes dias tão turbulentos.

Que o Senhor nos ajude nesta árdua tarefa!


Notas:

1 Liberalismo: neste contexto, qualquer movimento aberto a redefinir ou alterar as doutrinas e práticas tradicionais do cristianismo.

2 Ortodoxas: que se referem ao conjunto de doutrinas transmitidas pelas Escrituras bíblicas, como, por exemplo, a divindade de Deus, a Trindade e a autoridade das próprias Escrituras.

3 Secularismo: filosofia de vida conduzida sem crença, sem compromisso com Deus ou qualquer religião.

4 Materialismo: ensinamento de que a realidade última é a matéria, as coisas concretas, físicas e perceptíveis.

5 Filósofo grego (427 a.C.?-347 a.C.?). Um dos mais importantes filósofos de todos os tempos. Suas teorias, chamadas de platonismo, concentram-se na distinção de dois mundos: o visível, sensível ou mundo dos reflexos, e o invisível, inteligível ou mundo das idéias. Discípulo de Sócrates, desenvolveu a teoria do método (ou dialética) e a teoria da reminiscência, segundo a qual o homem vive no mundo das idéias antes de sua encarnação e as contempla em seu estado puro. Após a morte de Sócrates, em 399 a.C., Platão deixa Atenas e viaja por muitos anos, passando pelo Egito e pela Itália. Na Sicília, é incumbido de ensinar filosofia ao rei Dionísio, que depois o expulsa de sua corte, vendendo-o como escravo. Volta a Atenas em 387 a.C. e funda a Academia, procurando reabilitar a filosofia de Sócrates. Não há consenso sobre a cronologia da obra de Platão. Seus livros mais conhecidos são Apologia de Sócrates, no qual retoma as teorias do filósofo sobre a idéia, dando-lhes novo sentido. O banquete, que expõe, de forma poética, a dialética do amor. E A república, que contém, em síntese, toda a sua filosofia, além de abordar teorias sobre a imortalidade da alma, a política e a dialética.

6 De um modo geral, referência a conceitos de sistemas éticos e religiosos não-cristãos.

7 Filósofo grego. Considerado o fundador da lógica, sua obra tem grande influência na teologia cristã no período da Idade Média. Nasceu em Estagira, antiga Macedônia, atual província da Grécia. Mudou-se para Atenas aos 17 anos. Frequentou a Academia de Platão e foi discípulo durante vinte anos. Após a morte de Platão, passou três anos em Assos, na Ásia Menor. Depois, mudou-se para a Ilha de Lesbos. Em 343 a.C., é chamado para ser professor do príncipe Alexandre, da Macedônia. Quando Alexandre, o Grande, assumiu o trono, voltou a Atenas e, em 335 a.C., organizou sua própria escola, o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, interessada apenas na Matemática, o Liceu é voltado à pesquisa das ciências naturais. Então Aristóteles desenvolveu um sistema filosófico baseado numa concepção rigorosa do Universo. De orientação realista, defende a busca da realidade pela experiência. Para ele, deve-se procurar o conhecimento por meio do "intelecto ativo", como chama a inteligência. Todas as suas obras se perderam, salvo a intitulada Constituição de Atenas. O pensamento aristotélico foi preservado por seus discípulos e atinge várias áreas do conhecimento, como lógica, ética, política, teologia, metafísica, poética, retórica, antropologia, psicologia, física e biologia. Seus escritos lógicos estão reunidos no livro Organon.

8 Teologia desenvolvida sem considerar as revelações das Escrituras. É construída por meio de observações e experiências.

9 Seguidores do pensamento de João Calvino. O termo calvinismo é aplicado particularmente à doutrina da predestinação, que afirma que Deus escolhe, soberanamente, alguns para a salvação não por causa de qualquer mérito ou mesmo de uma visão antecipada de sua conversão à fé, mas simplesmente por sua livre vontade e graça.

10 Referente à interpretação que contraria a doutrina calvinista da predestinação. O arminianismo afirma que a decisão de Deus em dar a salvação a determinadas pessoas e não a outras é baseada em seu conhecimento prévio daqueles que vão crer. Também inclui a ideia de que pessoas genuinamente regeneradas podem perder a salvação e que alguns realmente a perdem. Com frequência, o arminianismo apresenta uma interpretação mais suave da depravação humana do que o calvinismo.

11 Uma teoria da natureza do conhecimento, ou seja, como sabemos o que sabemos e como sabemos que as nossas crenças são verdadeiras.

12 Dos muitos livros de Norman Geisler, recomendamos a Enciclopédia apologética, publicada pela Editora Vida, obra indispensável para os estudantes desta disciplina.

13 Pessoa adepta do empiricismo, teoria que prega que a veracidade de uma crença deve ser julgada exclusiva ou primariamente mediante um apelo aos fatos concretos adquiridos exclusivamente pela experiência sensória.

14 Pessoa adepta do pragmatismo, teoria que prega que a veracidade de uma crença deve ser julgada exclusiva ou primariamente pelos seus efeitos ou benefícios práticos.

15 No raciocínio dedutivo, a construção do argumento está baseada nas inferências necessárias das premissas (proposições).

16 No raciocínio indutivo, a construção do argumento avança dos fatos específicos a conclusões mais gerais que não se seguem necessariamente desses fatos, mas que são por eles apoiadas.

17 Adeptos do pressuposicionalismo, teorias que sustentam que a veracidade da Bíblia deve ser pressuposta pelo apologista. Para Gordon Clark, renomado teólogo, isso ocorre porque a Bíblia é a única fonte da verdade. Já o apologista Cornelius Van Til nega que toda a verdade deve ser obtida diretamente da Bíblia, antes, sustenta que todas as reivindicações a esta verdade devem ser julgadas pelo padrão que se acha na Bíblia.


Fonte: https://www.icp.com.br/df79materia1.asp


                                                              

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Resumo da Carta aos Romanos.

 


Por Reinaldo Carlos

Carta aos Romanos.

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:1,2. 

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Qumran e Apocalíptica: O Que Já Se Sabe?

 


Manuscrito mais misterioso do mar Morto narra a saída de Noé após o dilúvio.

Museu mostra pela primeira vez o mais frágil pergaminho milenar encontrado nas cavernas de Qumran. É uma cópia do “Gênesis” escrita em primeira pessoa.

Fragmento do 'Gênesis apócrifo', que pode ser visto pela primeira vez desde sua descoberta em 1947 no Santuário do Livro de Jerusalém.  
ODED BALILTY (AP)


Fragmento do 'Gênesis apócrifo', que pode ser visto pela primeira vez desde sua descoberta em 1947 no Santuário do Livro de Jerusalém.



O Museu de Israel exibe pela primeira vez o Gênesis apócrifo, um dos manuscritos do Mar Morto que até agora havia permanecido guardado na câmara climatizada construída expressamente para abrigar os delicados manuscritos encontrados nas cavernas de Qumran, de mais de 2.000 anos de antiguidade e a que só os conservadores do museu têm acesso.

O pergaminho agora exposto é um dos textos mais misteriosos dos sete primeiros manuscritos do Mar Morto encontrados em 1947 em uma caverna do deserto da Judeia. “Era de longe o documento em pior estado, por isso até agora foi impossível mostrá-lo”, disse na segunda-feira o conservador Adolfo Roitman, diretor do Santuário do Livro.

Datado do século I antes de Cristo e escrito em aramaico, vai do capítulo 5 ao capítulo 15 do Gênesis. Uma parte da Bíblia que fala de Abraão e Noé, mas contada com diferenças significativas, por isso é considerado um texto apócrifo. Seu conteúdo não faz tremer as bases do Vaticano — que considera os manuscritos do Mar Morto de interesse universal —, mas se presta a ser objeto de novas teorias da conspiração para colocar em dúvida o texto Bíblico. “É sem dúvida uma cópia muito antiga de um texto original. Os traços da escrita são feitos com muito esmero, sem erros e isso nessa época só era possível se o documento a ser copiado estivesse diante do copista”, diz Roitman. No pergaminho, que pode ser visto em Jerusalém, é narrada a passagem do fim do dilúvio universal.

Diferentemente do Gênesis — que narra que Noé sai da arca com sua família e a primeira coisa que faz é erigir um altar e fazer um sacrifício a Deus — o manuscrito conservado na Cidade Santa conta como Noé faz o sacrifício dentro da arca. “De um ponto de vista histórico também faria sentido porque se estamos falando da destruição que arrasou a terra, o sacrifício teria sido feito para assegurar-se de purificar o exterior”, diz Roitman ao lado do escaparate que contém o texto. Além disso, os fragmentos do Gênesis apócrifo não são narrados em terceira pessoa, é o próprio Noé quem conta a história.

Fragmento do manuscrito agora exibido em um escaparate em Jerusalém.
Fragmento do manuscrito agora exibido em um escaparate em Jerusalém.LOURDES BAEZA

Sua enorme deterioração confundiu os especialistas durante décadas. Por isso nem sequer pôde ser digitalizado para consulta online. Das 22 colunas que o compõem, as melhor conservadas são as últimas, da 18 a 22. “Tem sua lógica porque ao permanecer enrolado, os caracteres do final do rolo são os que ficaram menos expostos à luz e à umidade”, explica Roitman. São os únicos fragmentos desse pergaminho que foram exibidos brevemente em 1955, no edifico Terra Sancta em Jerusalém, quando o à época primeiro-ministro de Israel, Moshe Sharett, anunciou que o Estado israelense havia comprado os quatro manuscritos perdidos que faltavam dos sete encontrados na chamada Caverna 1 de Qumran.

Decomposição:

Os especialistas lidaram durante anos com a decomposição aparentemente imparável desse texto. Ao contrário de outros rolos encontrados na mesma caverna, esse manuscrito é um pergaminho, não um papiro, e sua tinta parece ser o que o faz tão frágil. “É composta por uma liga de carvão e resinas, como a tinta dos outros rolos, mas a do Gênesis apócrifo também contém cobre, o que faz com que seja especialmente sensível à luz. Temos fotografias em que essa deterioração é vista ao ser comparado o estado atual com o estado em que estava em 1955, quando o professor James Bieberkraut trabalhou nele pela primeira vez”, diz o conservador.

Bieberkraut foi o primeiro especialista em Israel que se encarregou da conservação dos rolos. Mas à época não se sabia que esse pergaminho é especialmente sensível à luz. Tanto que nem mesmo resistiria caso fosse exposto no Santuário do Livro, nas mesmas condições do restante dos documentos de Qumran. Por isso, para essa exposição os especialistas criaram um escaparate especial coberto com um vidro inteligente. O vidro é composto por duas camadas que permitem a passagem de um feixe de luz entre elas de maneira que, quando se aperta um botão, o pergaminho se torna visível durante somente 30 segundos, mas nunca é iluminado diretamente. O escaparate contém um chip que registra constantemente as condições ambientais.

“Os outros manuscritos são exibidos por partes. Mostramos um trecho diferente deles a cada três meses, assim asseguramos sua preservação. Mas com o Gênesis apócrifo não podemos fazer isso porque se desintegraria. Por isso essa ocasião para vê-lo é única”, diz Roitman. Os fragmentos serão expostos até julho. Depois, voltarão a dormir na câmara onde estiveram por mais de 50 anos.

Périplo mundial até Jerusalém.

O Museu de Israel desvela fragmento desconhecido dos Rollos do Mar Morrido
O Museu de Israel desvela fragmento desconhecido dos Rollos do Mar Morrido

Os Manuscritos do Mar Morto são quase 1.000 pergaminhos e papiros escritos em aramaico e hebraico em onze cavernas das quase 300 inspecionadas em Qumran, no deserto da Judeia, na Cisjordânia, entre 1947 e 1956.

O Gênesis Apócrifo faz parte dos primeiros sete manuscritos encontrados em 1947 na chamada Caverna 1 por pastores beduínos da tribo dos Tamireh. Ao jogar uma pedra em um buraco e notar um som estranho decidiram retornar ao local preparados para escavá-lo. Encontraram dez potes de barro fechados e em um deles havia três manuscritos enrolados. Em outra visita ao local, descobriram outros quatro manuscritos e acabaram vendendo-os a vários comerciantes de Belém.

Um professor da Universidade Hebraica, Eleazar Sukenik, comprou três deles e os outros quatro foram adquiridos pelo arcebispo Athanasius Yeshue Samuel do Monastério siríaco ortodoxo de Jerusalém, que pagou 100 dólares (330 reais) pelo lote. Quando explodiu a guerra após o nascimento do Estado israelense, o prelado fugiu com seus manuscritos aos Estados Unidos via Beirute. Lá os colocou inicialmente à venda por um milhão de dólares (3,3 milhões de reais), mas ninguém os comprou. "Sua antiguidade não estava clara, a soma era muito elevada e o medo de que fossem exigidos por Israel ou pelos palestinos atrapalhava a venda", diz Adolfo Roitman, Diretor do Santuário do Livro do Museu de Israel.

Por fim o arcebispo colocou um anúncio no Wall Street Journal diminuindo o preço e o arqueólogo Yigael Yadin os comprou secretamente para o Estado de Israel por 250.000 dólares (825.000 reais), uma compra que o primeiro-ministro israelense Moshe Sharett anunciou em fevereiro de 1955.









terça-feira, 9 de maio de 2023

Hebreus 4:12 - A ética a moral e a consciência humana.



 Hebreus 4:12 - A ética e a moral na consciência humana.

POR REINALDO CARLOS.


A dualidade textual revela-nos a intenção do autor em nos informar que, existem duas áreas que necessitam estar ajustadas como condição do nosso modus vivendi e a percepção do sistema em nossa volta. Quando relacionamos essa dualidade, vemos que uma se adequa ao nosso consciente como um professor que nos ministra vinte e quatro horas por dia desde a nossa compreensão de mundo, e vemos também que, outra se adequa à forma de conduta e caminhada na questão das relações humanas. 

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. Hebreus 4:12.
 
O ponto de partida do autor é a palavra de Deus, e seu alvo são os crentes que estão retornando às práticas do judaísmo, esses crentes sofrem com a pressão daqueles mesmos grupos que apedrejaram e mataram Estevão, o primeiro mártir da igreja, Atos 7: 1-60. 
O autor os convida para uma reflexão sobre esse retorno e se de fato eles não estavam sucumbindo muito depressa aos ataques daqueles que, de forma nenhuma aceitavam a inauguração de uma Nova Aliança, esses grupos, segundo o próprio autor, não se conformavam com a implantação de uma nova crença em que os velhos rituais da Lei não mais se encaixavam, dessa forma, tentaram de tudo, inclusive sugerir o processo de circuncisão como e uma entrada no judaísmo para, a partir dai, seguir essa nova crença que, mais uma vez, segundo Atos, só crescia e se multiplicava, atingindo até àqueles que ministravam o sacerdócio na casa de Deus.

 E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé. Atos 6:7.

O Princípio de tudo, a ética.

Fiquemos com a PALAVRA e a partir dela, vamos entender a dualidade de Hebreus 4:12.

O que é ÉTICA? Aqui, vou tratar ética do ponto de vista bíblico, pois, esta postagem tem como referência a Palavra de Deus, uma abordagem madura sobre o que é ética seria prontamente respondida como a valoração de preceitos que regem e determinam a convivência social, dessa forma, a Bíblia nos revela que Deus é um Deus ético e que deseja que a criação seja também ética, dessa forma o cria segundo sua imagem e semelhança. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27. 















quarta-feira, 8 de dezembro de 2021