terça-feira, 8 de setembro de 2026

João Calvino e Jacó Armínio.

 


Por Reinaldo Rocha.

  • João Calvino (1509–1564): Líder da Reforma em Genebra, cujas ideias sobre a soberania divina moldaram a tradição reformada.
  • Jacó Armínio (1560–1609): Teólogo holandês que questionou os aspectos mais rígidos da predestinação ensinada pelos seguidores de Calvino. Os pontos de Armínio foram organizados e formalizados após sua morte .
  • Estava ministrando aula na faculdade de teologia e, falando sobre questões relacionadas ao amor de Deus por toda a humanidade, foi quando um aluno me perguntou sobre o tema da postagem, ele perguntou: "Professor, o senhor é Calvinista ou Arminianianista?" 
    Na hora, não sabia de fato o que responder, graças a Deus, isso aconteceu no começo do meu ministério de ensino, então, passei a estudar sobre essas escolas teológicas, porém, confesso que, ainda não tenho uma definição clara de quem de fato seguir ou, pelo menos, estudar com mais ênfase para determinar de que lado fico, a proposta não é escolher esse ou aquele, essa não é uma boa abordagem na questão de escolhas de escolas de pensamento, nesse blog falo sobre Hillel e Shammai, dicotomia e tricotomia, mas, confesso que não tenho como pender para algum lado, sem analisar o outro, aliás, penso que é isso que um teólogo deve fazer, pois, trata-se da responsabilidade que a nós foi outorgada, não de escolher um lado, mas de, a partir de uma análise, orientar nossos alunos. 
    Por óbvio, temos a compreensão que as Sagradas Escrituras norteiam todas as doutrinas que defendemos, sendo a Bíblia a fonte primária de nossos estudos no campo teológico, qualquer matéria que extrapolar as linhas da Palavra de Deus no sentido à divergir do seu conteúdo deve ser rechaçada por qualquer que professe sua fé em Deus.

    Os Cinco Pontos do Calvinismo.

    Os cinco pilares do calvinismo foram definidos no Sínodo de Dordt e são conhecidos pelo acrônimo TULIP. Cada letra representa um princípio central da doutrina:

    • Depravação Total (Total Depravity): o ser humano nasce em pecado, herdado de Adão e Eva. Sua natureza está corrompida e, por si só, ele não consegue buscar a Deus. Somente a intervenção divina pode salvá-lo.
    • Eleição Incondicional (Unconditional Election): a salvação não depende das boas ações do indivíduo, mas da escolha soberana de Deus. Ele decide, sem base nos méritos humanos, quem será salvo.
    • Expiação Limitada (Limited Atonement): a morte de Cristo não teve o propósito de salvar toda a humanidade, mas apenas aqueles que Deus escolheu.
    • Graça Irresistível (Irresistible Grace): quando Deus chama alguém para a salvação, esse chamado não pode ser rejeitado. Sua graça é mais forte do que qualquer resistência humana.
    • Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints): Quem recebe a salvação nunca a perde. Deus garante que seus escolhidos permaneçam fiéis até o fim.

    Os Cinco Pontos do Arminianismo.

    Eleição Condicional: Deus escolhe salvar aqueles que Ele previu, em sua presciência, que teriam fé em Cristo. A eleição baseia-se na resposta humana à graça.
    Expiação Universal: Jesus Cristo morreu por todas as pessoas e por cada indivíduo, tornando a salvação possível para o mundo inteiro, embora seja eficaz apenas para os que creem.
    Depravação Total: O ser humano foi profundamente afetado pelo pecado original e é incapaz de salvar a si mesmo ou buscar a Deus por suas próprias forças sem o auxílio divino.
    Graça Preveniente (Resistível): A graça de Deus atua primeiro no coração humano, capacitando a pessoa a responder ao chamado do Evangelho. No entanto, essa graça pode ser resistida ou rejeitada pela vontade humana.
    Segurança em Cristo (ou Capacidade de Cair da Graça): A salvação é mantida pela fé viva em Cristo. Os armênios clássicos creem que um crente pode, por apostasia ou rejeição contínua da fé, afastar-se de Deus e perder a salvação.














    quinta-feira, 21 de maio de 2026

    O Codex de Leningrado.

     


    O Codex de Leningrado.

    Embora a cidade tenha mudado seu nome de Leningrado para São Petersburgo, o livro ainda é chamado de Codex de Leningrado (B 19A). É o manuscrito completo mais antigo da Bíblia Hebraica do mundo.

    O Codex de Leningrado, ou L, para abreviar, pode ser datado por volta de 1008 a 1010 d.C. Como o próprio nome indica, é um livro com páginas, ou folhas, e não um pergaminho. Já no primeiro século d. C. os estudiosos cristãos começaram a transmitir suas obras sagradas em Codex, em vez de pergaminhos, e no século terceiro o Codex era o padrão. No mundo judaico, contudo, o Codex só foi adotado por volta do século sétimo. O Codex de Leningrado possui dois colofões. De uma palavra grega κολοφών que significa “cume”, “topo”, “final”, cólofon é uma inscrição que contém o título, o nome do escriba ou impressor e a data e local da composição [ou seja, o cólofon trazia as informações agora fornecidas na página de rosto de uma publicação]. O Codex de Leningrado tem um cólofon no início e outro no final (fólio [ou folha] 1a e fólio 491b).

    L também é a mais antiga Bíblia Hebraica completa com sinais indicando vogais. O hebraico geralmente é escrito apenas com consoantes. Infelizmente, isto frequentemente deixa espaço para ambiguidade e incerteza; muitas vezes são possíveis várias vogais diferentes e, portanto, várias leituras alternativas.

    Para remediar esta situação, vários sistemas de sinais vocálicos subscritos e sobrescritos foram criados por diferentes escolas na Palestina por volta do século X. O sistema mais conhecido, e o que prevaleceu, foi concebido em Tiberíades pelos massoretas, ou escribas, associados à família Ben Asher. Esses escribas também anotavam seus textos com notas marginais – na parte superior, inferior e nas laterais da página. As notas de L são quase tão importantes quanto o seu texto.

    O texto preparado por esses massoretas é conhecido como Texto Massorético. Permanece até hoje o texto padrão da Bíblia Hebraica.

    O escriba que escreveu o Codex de Leningrado identificou-se nos dois colofões e no centro de uma estrela em uma das requintadas páginas decoradas do manuscrito (fólio 474a). Ele é Shemu’el ben Ya’aqov, ou Samuel, filho de Jacó.

    No primeiro cólofon, o escriba nos conta que o manuscrito foi escrito no Cairo (medinat misrayim, que significa capital do Egito). O homem que encomendou o manuscrito também é identificado — quatro vezes, na verdade — como Mevorak ha-Kohen ben-Netan’el. Mevorak significa o Abençoado. Ele é sacerdote (ou descendente de um – o nome judaico “Kohen” denota uma família sacerdotal), filho de Natanael.

    A data do manuscrito é dada de cinco maneiras diferentes: 4.770 anos desde a criação do mundo, 1.444 anos desde o exílio do rei Joaquim (586 a.C.), 1.319 anos desde o “domínio grego” (a era selêucida, começando em 309 a.C.), 940 anos desde a destruição romana do Segundo Templo (70 d.C.) e 399 anos desde a Hégira (a fuga de Maomé de Meca para Medina para escapar da perseguição em 622 d.C.).

    Quando convertemos estas datas para o nosso calendário, surgem datas ligeiramente diferentes: de 1008 a 1010.

    Uma nota no final do primeiro cólofon nos diz que o manuscrito foi comprado em 1489 pelo chefe de uma yeshiva, ou academia rabínica (não sabemos nada sobre o manuscrito entre 1010 e 1489). São fornecidos o nome do comprador e o nome da yeshiva. Três meses após esta compra, foi doado à sinagoga caraíta de Damasco, como aprendemos em outra nota do primeiro cólofon. Como o nome do comprador é o mesmo do doador – é traduzido tanto em judaico-árabe (Ishaq ibn Musa) quanto em hebraico (Yishaq ben-Moshe ben-Eliyahu ben-Alula) – o Codex provavelmente chegou a Damasco pelo época em que foi comprado em 1489.

    Assim como nada sabemos sobre as peregrinações do manuscrito de 1010 a 1489, nada sabemos sobre ele depois disso, até que foi adquirido em meados do século XIX por um dos grandes heróis-bandidos da história dos manuscritos: Abraham Firkovich.

    Firkovich era caraíta, e isso é importante para a nossa história. Os caraítas aparentemente se originaram na Babilônia e romperam com o judaísmo rabínico por volta de 760 d.C. A principal diferença doutrinária entre os rabanitas e os caraítas era que estes últimos rejeitavam a chamada Lei Oral incorporada no Talmud, sustentando que somente a Bíblia deveria ser seu guia.

    Como tantas vezes acontece com os irmãos, a hostilidade entre os caraítas e os rabanitas era muitas vezes intensa. No entanto, até ao final do século XVIII, ambos se consideravam judeus e consideravam até as suas polêmicas mais destemperadas como assuntos judaicos internos.

    Codex de Leningrado - Início do livro do GênesisEm 1795, porém, a Rússia conquistou a Crimeia, que abrigava uma grande comunidade caraíta. Os russos logo aliviaram os caraítas do duplo imposto cobrado dos judeus. Os caraítas também foram autorizados a adquirir terras, ao contrário dos judeus não-caraítas. Em 1827, os caraítas foram isentos do temido recrutamento militar, novamente ao contrário dos judeus. Para melhorar ainda mais a sua situação política, os caraítas começaram a impressionar o governo com as suas diferenças fundamentais em relação aos judeus, isto é, aos rabanitas.

    Finalmente, em 1840, os caraítas foram colocados em pé de igualdade legal com os muçulmanos, um avanço significativo. Nessa época, os caraítas eram ricos proprietários de terras; seus primos de classe baixa, os judeus rabanitas, eram em grande parte vendedores ambulantes e artesãos.

    É neste contexto histórico que devemos compreender Abraham Firkovich. Ele nasceu em 1786 em Lutsk (Luck), Polônia, centro das comunidades caraítas na Lituânia. Embora tenha escrito uma autobiografia, sabemos muito pouco sobre seus primeiros anos – principalmente que ele era o hazzan, ou cantor, em uma sinagoga caraíta em Lutsk.

    Ele viajou durante vários anos pelas regiões do sudoeste da Rússia, zeloso em seu esforço para descobrir as origens dos caraítas. Ele estava determinado a provar que eles descendiam de um grupo antigo de judaítas que migraram para a Crimeia após o exílio babilônico (século VI a.C.) – e, portanto, muito antes da Era Comum e muito antes do advento do Judaísmo Rabínico. Se isto fosse verdade, teria fornecido a base para melhorias ainda maiores no status dos caraítas.

    Em fevereiro de 1839, Firkovich escreveu uma carta ao seu patrono, Simhah Bobowich, o chefe hakham (homem sábio) dos caraítas russos, na qual reconhecia que os caraítas se separaram dos rabanitas por volta de 640 d.C .(esta data é um pouco anterior). “Assim”, escreveu ele, “teríamos sido participantes do assassinato de Jesus, o que não é bom para nós”.

    Firkovich esperava provar que os caraítas estavam na Crimeia muito antes dos judeus, mesmo antes da época de Jesus, extraindo evidências de manuscritos antigos, que ele começou a coletar no início de sua vida. (Ironicamente, recentes descobertas arqueológicas indicam que os judeus podem ter vivido na Crimeia pelo menos já no primeiro século d.C.)

    Em 1822 ele fez sua primeira viagem a Jerusalém para coletar manuscritos. Em 1830 fez uma segunda viagem à Palestina, desta vez acompanhado por Bobowich. De 1831 a 1832, Firkovich viveu em Istambul, mas logo retornou à Crimeia para servir a comunidade caraíta em Eupatória, que foi a maior comunidade caraíta da Rússia durante o século 19 e a residência do principal hakham caraíta da Rússia.

    Então, em 1839, Firkovich viajou em busca de novas aquisições, desta vez encomendadas pelo governador-geral da Crimeia. Ele até realizou algumas escavações arqueológicas nas montanhas do Cáucaso, bem como na Crimeia, em busca dos primeiros caraítas. Ele encontrou algumas lápides caraítas, mas evidentemente falsificou datas para provar seu caso. Na carta a Bobowich citada anteriormente, ele mencionou quão benéfico seria tal descoberta: “Se, no entanto, pudéssemos encontrar uma pedra [túmulo] do ano 4300 [após a criação], então os cristãos nos dariam muita honra e louvor.”

    Não há dúvida de que Firkovich era um especialista em reconhecer e avaliar manuscritos antigos e que possuía uma vasta coleção.

    Em 1859, ele se ofereceu para vender o que ficou conhecido como a Primeira Coleção de Manuscritos Firkovich à Biblioteca Imperial de São Petersburgo por 25.000 rublos de prata. Esta oferta foi finalmente aceita, com a condição de que a coleção fosse aumentada por alguns manuscritos que Firkovich havia doado anteriormente à Sociedade de História e Antiguidades de Odessa. Em 1862, esta estipulação foi acordada. Aparentemente, o Codex de Leningrado fazia parte da coleção da Sociedade de Odessa.

    Firkovich fez outra viagem mais extensa ao Oriente Médio, de 1863 a 1865, onde reuniu uma coleção ainda maior de manuscritos.

    Ele passou os últimos anos de sua vida em Chufut-Kale, na Crimeia, e morreu lá aos 87 anos, em 7 de junho de 1874. Durante esses anos, Firkovich viveu em uma casa magnífica e era conhecido como líder caraíta e empresário de sucesso. Ele até mandou fazer seu retrato: um homem próspero e patriarcal, envolto em uma capa cara e ostentando uma barba branca esvoaçante, senta-se severamente ereto; o cajado que ele carrega pode lembrar o bíblico Abraão, homônimo de Firkovich, o pastor-guardião de seu rebanho.

    Mas esse grande velho também era um pouco canalha. Vários estudiosos questionaram a autenticidade de alguns itens de sua coleção. Alguns manuscritos são


     falsificações e outros contêm emendas e interpolações forjadas – parte do esforço de Firkovich para estabelecer o assentamento precoce dos caraítas na Crimeia. Felizmente, as falsificações constituem uma parte pequena e identificável da gigantesca coleção. Aparentemente, ele também mudou as datas de algumas lápides que supostamente provavam a antiguidade dos caraítas na Crimeia; infelizmente, ninguém sabe onde estão essas lápides hoje. Ainda assim, apesar dos seus esforços para estabelecer uma data antiga para os registos – ou, como disse um eminente estudioso, para os “karaizar” – não há qualquer contestação quanto ao fato de ele ter conseguido adquirir a maior coleção de manuscritos hebraicos jamais reunida até esse ponto.

    Desde 1988 os estudiosos ocidentais têm tido acesso contínuo e cooperativo à Biblioteca Nacional Russa em São Petersburgo, antiga Biblioteca Pública Estadual Saltykov-Shchedrin e antes disso conhecida simplesmente como Biblioteca Imperial. Uma equipe de Israel, liderada pelo professor Malachi Beit-Arie, professor de codicologia e paleografia na Universidade Hebraica de Jerusalém, está microfilmando praticamente toda a coleção, aparentemente a maior do mundo. Existem mais de 15.000 manuscritos hebraicos somente nas coleções de Firkovich, que são estimados em cerca de 600.000 fólios (1.200.000 páginas). Beit-Arie prevê que serão necessárias gerações para que tal coleção seja avaliada de forma abrangente.

    “Na minha opinião”, escreve Beit-Arie, “as coleções de Firkovich contêm muitas centenas de manuscritos ou restos consideráveis ​de Codex (principalmente bíblicos) produzidos nos séculos X e XI. Para compreender plenamente o extraordinário significado desta quantidade, é preciso compará-la com os provavelmente não mais de 30 manuscritos hebraicos daquele período, mantidos em todas as bibliotecas do mundo!”

    Firkovich classificou o Codex de Leningrado como a mais importante de suas aquisições, um elogio nada pequeno considerando a extensão e a qualidade de suas coleções. No entanto, nem na sua autobiografia, Livro das Pedras Memoriais (Sefer Avnei Zikkaron), nem nas suas cartas existentes ele nos diz onde, quando ou sob que circunstâncias adquiriu o Codex de Leningrado; ele nem sequer discute este Codex. Ele o trouxe para a Sociedade de História e Antiguidades de Odessa, entretanto. Talvez tenha sido por isso que a Biblioteca Imperial de São Petersburgo insistiu que as doações de Firkovich à Sociedade de Odessa fossem incluídas na compra da Primeira Coleção de Firkovich.

    Uma questão intrigante permanece: como o Codex de Leningrado foi escrito no Cairo? Embora esta parte da história do Codex seja tão incerta quanto o seu paradeiro depois de ter sido copiado em 1010, e novamente depois de ter sido comprado e doado à sinagoga de Damasco em 1489, há indícios intrigantes. Se estivermos certos, poderemos até aprender algo sobre os Manuscritos do Mar Morto.

    Por volta de 800 d.C. alguns manuscritos hebraicos foram descobertos perto de Jericó. De acordo com uma carta escrita por Timóteo I (726-819 d.C.), o patriarca nestoriano de Selecia, ao arcebispo de Elam, um cão caçador árabe perseguiu um animal até uma gruta perto do Mar Morto. Quando o caçador foi procurar seu cachorro, encontrou “uma gruta na rocha e nela muitos livros”. O caçador levou então o seu saque para Jerusalém, onde pelo menos alguns dos manuscritos foram identificados como livros da Bíblia escritos em hebraico.

    Com toda a probabilidade, estes manuscritos vieram do mesmo conjunto de grutas em que os Manuscritos do Mar Morto foram encontrados em circunstâncias semelhantes em 1947 e durante a década seguinte.

    No século IX Jerusalém tornou-se o centro espiritual dos caraítas, e vários estudiosos caraítas se estabeleceram lá. Na verdade, os caraítas daquela época eram muito mais influentes em questões espirituais do que os rabanitas de Jerusalém. Os estudiosos caraítas estavam interessados ​em olhar além dos ensinamentos orais das autoridades rabínicas codificados na Mishná e desenvolvidos no Talmud; eles esperavam encontrar o próprio texto bíblico original. Assim, estudaram avidamente antigos manuscritos bíblicos e devem ter ficado intensamente entusiasmados com os textos mencionados por Timóteo I.

    À medida que o caraísmo se espalhou, os seus adeptos foram encontrados não apenas em Jerusalém e Constantinopla, mas também, em grande número, no Egito. Lá eles rastrearam seus ancestrais até o remanescente de judeus que fugiram para o Egito com o profeta Jeremias após a destruição de Judá pela Babilônia em 586 a.C. ( Jeremias 43, 4-7 ). A maioria dos manuscritos caraítas nas bibliotecas de Paris e São Petersburgo vem do Egito. No Cairo, os caraítas residiam perto do Nilo, perto de Fostat (Antigo Cairo).

    Tendo estabelecido uma ligação entre os manuscritos hebraicos bíblicos encontrados em cavernas perto de Jericó por volta de 800 d.C. e os caraítas no Egito (através dos caraítas de Jerusalém que teriam examinado os textos antigos), vamos ver se conseguimos estreitar o vínculo.

    Há uma sinagoga no Cairo Antigo, conhecida como Sinagoga Ben Ezra, que é famosa por sua célebre genizah, um depósito para documentos sagrados desgastados. Por alguma razão, na Sinagoga Ben Ezra, todos os tipos de documentos, não apenas documentos sagrados, foram jogados no que ficou conhecido como Genizah do Cairo; estes documentos aí permaneceram durante séculos, até à sua descoberta no final do século XIX. Na verdade, algumas das primeiras compras de Firkovich provavelmente vieram do Genizah do Cairo.

    Em 1897, um estudioso da Universidade de Cambridge chamado Solomon Schechter encontrou dois documentos estranhos no Genizah do Cairo que publicou em 1910 sob o título “Fragmentos de uma Obra Sadoquita”. Eles tinham afinidades com documentos caraítas, e muitos sugeriram que os fragmentos de Schechter eram de fato caraítas. Schechter, no entanto, acreditava que eram cópias de uma obra muito mais antiga composta antes da destruição romana de Jerusalém em 70 d.C. Ele observou, por exemplo, que o hebraico dos fragmentos, ao contrário do hebraico usado pelos rabinos depois de 70 d.C., se assemelha muito ao hebraico dos livros mais recentes da Bíblia.

    A conjectura de Schechter mostrou-se espantosamente correta quando diversas cópias da mesma obra surgiram entre os Manuscritos do Mar Morto.

    Mas como é que esta obra, agora conhecida como Documento de Damasco, foi de Qumran, onde os Manuscritos do Mar Morto estavam escondidos, até a Genizah do Cairo? Provavelmente estava entre os documentos encontrados por volta de 800 d.C. e levados para Jerusalém. Lá teria sido estudado por estudiosos caraítas, que certamente teriam admirado o sacerdócio sadoquita, especialmente sua rejeição ao sacerdócio de Jerusalém, e os regulamentos estritos do Documento de Damasco relativos à comunidade da Nova Aliança, muito semelhantes à rejeição caraíta da doutrina do judaísmo rabínico. O documento foi, sem dúvida, copiado repetidas vezes pelos caraítas, e duas cópias finalmente chegaram à Genizah do Cairo, para serem descobertas em 1897.

    Esta suposição é apoiada por outra estranha conexão manuscrita. O interesse de Schechter na Genizah do Cairo foi desencadeado por algumas folhas de uma cópia hebraica do Livro do Eclesiástico (Sirácida) que veio da Genizah do Cairo. Antes dessa época, apenas cópias gregas do Sirácida haviam sido encontradas, e era incerto se o original estava escrito em hebraico ou em grego (resposta: hebraico). Fragmentos hebraicos do Sirácida também foram posteriormente encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto. Aparentemente, uma cópia hebraica do Sirácida estava entre as descobertas de cerca de 800 d.C., e cópias delas chegaram à Genizah do Cairo.


    Portanto, uma trilha caraíta da Palestina ao Cairo não é tão difícil de imaginar. Como isso nos ajuda a explicar por que o Codex de Leningrado foi encomendado e escrito no Cairo?

    Assim como o Documento de Damasco e o Sirácida hebraico chegaram de Jerusalém ao Egito como resultado do interesse acadêmico caraíta, o mesmo aconteceu, muito provavelmente, com cópias da recensão rabínica da Bíblia Hebraica criada no século X em Tiberíades, no sudoeste do país, costa do Mar da Galileia.

    Como já observamos, no século X, os escribas conhecidos como massoretas acrescentaram vogais e acentos ao texto consonantal hebraico, padronizando-o e comentando seu trabalho em notas marginais. Obviamente isto foi de grande importância para os caraítas.

    Cópias deste novo texto sem dúvida circularam rapidamente e algumas foram levadas para o Cairo para servir às necessidades da comunidade caraíta local. Lá, Shemu’el ben Ya’aqov provavelmente fez uma cópia de um dos manuscritos autorizados preparados pelo próprio Aarão ben Moisés ben Asher em Tiberíades. Eventualmente, como vimos, esta cópia chegou a Damasco. Firkovich o adquiriu em uma de suas viagens mais distantes, talvez até em Damasco.

    Existe apenas um outro manuscrito ao qual o Codex de Leningrado pode ser comparado: o Codex de Aleppo. Tanto o Codex de Aleppo como o Codex de Leningrado preservam o texto da escola de massoretas de Ben Asher. O Codex de Aleppo, no entanto, é ainda mais antigo, datando de cerca de 935 d.C. De 1478 a 1947, esteve instalado na Sinagoga Mustaribah, em Aleppo – daí o seu nome. Há uma tradição de que Maimônides, o grande filósofo judeu e estudioso da Bíblia do século XII, viu o Codex de Aleppo, pois se refere a ele como o codex autorizado para o estudo textual.

    Em 2 de dezembro de 1947, quatro dias depois de as Nações Unidas aprovarem uma resolução para dividir a Palestina, criando assim o Estado de Israel, multidões árabes em Aleppo (e em outros lugares da Síria) iniciaram um ataque violento contra judeus sírios e suas propriedades. Entre os alvos estava a Sinagoga Mustaribah, um marco desde o século IV. Miraculosamente, porém, 294 das 380 folhas do Codex de Aleppo foram recuperadas. Na sequência elas foram transferidas para Israel e agora são propriedade da Fundação Yitzchak Ben-Zvi em Jerusalém.

    Mas mesmo antes do desastre de 1947, o Codex de Aleppo era em grande parte inacessível aos estudiosos.

    Na década de 1920 o grande crítico textual alemão Paul Kahle quis usar o Codex de Aleppo como texto base para a terceira edição da Bíblia Hebraica (BH).

    BH é a edição crítica da Bíblia Hebraica usada por estudiosos de todo o mundo desde que a primeira edição foi publicada em 1905. É também a base textual a partir da qual foram feitas a maioria das traduções, para qualquer orientação religiosa. As duas primeiras edições usaram o texto tradicional da Bíblia rabínica, impressa na Itália no início do século XVI. Desde então, tornou-se claro que tanto o Codex de Aleppo como o Codex de Leningrado são testemunhas superiores.

    Kahle sabia que o Codex de Aleppo era mais antigo e provavelmente ainda mais autêntico que o Codex de Leningrado. Infelizmente, porém, ele não conseguiu persuadir os funcionários da sinagoga em Aleppo nem sequer a permitir-lhe estudá-lo na sinagoga, muito menos emprestá-lo ou fotografá-lo.

    Por outro lado, em 1926 Kahle foi autorizado a levar o Codex de Leningrado para Leipzig. Lá, seu aluno, Gottfried Quell, preparou copiosas notas para Rudolf Kittel — o ilustre editor das duas primeiras edições de BH — que então preparava uma terceira edição.

    Assim, o Codex de Leningrado tornou-se o texto base da terceira edição de BH (1937), chamada pelos estudiosos de BHK (Biblia Hebraica Kittel).

    O Codex de Leningrado é também o texto base da quarta edição da BH (1976/7), conhecida como BHS, Biblia Hebraica Stuttgartensia. Esse é o texto agora usado em todo o mundo para estudo acadêmico e tradução.

    A quinta edição da BH, referida como BHQ (Biblia Hebraica Quinta), que está atualmente sendo preparada por uma equipe internacional de estudiosos, também usa como base o Codex de Leningrado. Sua publicação começou em 2004.

    Embora o Codex de Leningrado tenha sido fotografado e microfilmado, a maioria das fotografias e filmes originais desapareceram e as cópias restantes são menos que satisfatórias. Até mesmo algumas consoantes hebraicas não são claras nessas cópias, e as minúsculas notas marginais são em sua maioria ilegíveis. Claramente, um novo conjunto de fotografias era necessário.

    Após negociações cuidadosas e politicamente sensíveis, a equipe da Ancient Biblical Manuscript Center (ABMC), de Claremont, Califórnia, recebeu permissão para viajar em maio/junho de 1990 para Leningrado (agora São Petersburgo novamente) para fazer o tedioso trabalho de filmar todas as 982 páginas do Codex de Leningrado, incluindo notas finais e páginas com gravuras, em filme colorido e preto e branco. Cópias das novas fotografias foram fornecidas aos estudiosos que preparam a quinta edição da Bíblia Hebraica. Uma edição fac-símile do Codex de Leningrado foi publicada em 1998.

    Com as novas fotografias do Codex de Leningrado, a BHQ incluirá, pela primeira vez, todas as notas marginais (masorot) da Bíblia Hebraica completa mais antiga do mundo.

    Compreender o valor desses masorot requer um pouco de compreensão de alguma história acadêmica.

    As notas massoréticas preservam as primeiras tradições orais sobre como o texto escrito deve ser lido. Até recentemente, estas notas eram consideradas secundárias em relação ao próprio texto consonantal. Este princípio remonta pelo menos até Martinho Lutero. No início do século 16, Lutero foi confrontado com discrepâncias nos vários textos da Bíblia Hebraica que estavam disponíveis para ele. Ele era extremamente cético em relação ao que considerava inovações massoréticas adicionadas às consoantes do texto hebraico. Os estudos modernos do Antigo Testamento têm seguido essa visão desde então – até o período pós-moderno, que começa em meados do século XX.

    Agora o paradigma da crítica textual mudou, como pode ser visto claramente na BHQ, Vemos agora a tradição de leitura – isto é, a contribuição dos massoretas – tão autêntica quanto as letras (consoantes).

    Assim, as novas fotografias do Codex de Leningrado, tal como publicadas na edição fac-símile e incorporadas na quinta edição da Bíblia Hebraica , estão, pela primeira vez, disponibilizando todas as riquezas da tradição incorporadas neste famoso manuscrito a todos os que se dedicam aos estudos bíblicos.

    Fonte: James A. Sanders, Astrid Beck, The Leningrad Codex: Rediscovering the oldest complete Hebrew Bible. Bible Review, Volume 13, Number 4, August 1997.

    O texto original do artigo, em inglês, pode ser baixado clicando aqui.

    Sobre os autores: James A. Sanders (1927-2020) e Astrid B. Beck (1943-).

    Veja imagens do Codex de Leningrado clicando aqui e aqui.




    quarta-feira, 18 de março de 2026

    Um Profundo Estudo Sobre a Ceia do Senhor.

     


    Por Reinaldo Carlos Rocha.

    Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. 

    1 Coríntios 11:28.


    1 - Examine-se quanto ao seu entendimento, você sabe o que é a Ceia do Senhor?
    2 - Você entende que a presença de Cristo é real nesse ambiente como apontam os dois elementos, você piamente acredita que se nós nos fechássemos aqui dentro e fizéssemos um silêncio ensurdecedor ao ponto de captarmos até o respirar de Jesus nesse ambiente?

    3 - Você compreende que o ato em si é em memória Dele e que esse ato aponta para a segunda vinda Dele?

    Ele mesmo faz referência disso quando diz “até que eu venha”.

    4 - Você entende sobre a Nova Aliança, sobre o perdão dos pecados pelo sangue de Jesus representado pelo cálice, você crê realmente nesse fator purificador, as bodas de Caná da Galiléia abre esse leque de entendimento, a água das talhas que eram usadas para a purificação exterior agora é substituída pelo vinho que não trabalha mais na parte externa mas sim, na parte interna do ser humano?

    5 - Faça uma análise da sua situação espiritual, como você está? Pense por um momento como você no momento da Ceia se aproximará de Deus, há em seu coração algo que o impeça de se achegar à mesa da comunhão?


    Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. 

    1 Coríntios 11:29.


    1 - Discernir o corpo de Cristo vai na mesma linha do entendimento da presença do Cristo entre nós, se Cristo está presente através dos elementos da Ceia, cabe dizer que, esse ambiente é um ambiente de comunhão, se há alguém presente que não entende que esse momento remonta a comunhão dos santos presente e futura, essa pessoa não deve participar da Ceia, porque se Jesus está presente e esse ambiente é tomado pela presença Dele, do Trono de Deus são liberados para esse ambiente 1 - comunhão, 2 - graça, 3 - misericórdia.

    2 - Muitos dos irmãos em vez de beberem da comunhão, graça e misericórdia estavam bebendo juízo, isso porque lemos o texto da Ceia a partir de um pressuposto de que os problemas haviam sido resolvidos e eu digo para todos, longe estavam de uma resolução, as palavras de Paulo são palavras de repreensão e não de louvor, se naquele momento Paulo está debaixo da orientação do Espírito Santo, então entenda-se que é o próprio Deus repreendendo aquela Igreja, não é um texto da palavra do homem que estamos lendo, mas, um texto da Sagrada Palavra de Deus.


    Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. 

    1 Coríntios 11:30.


    1 - A igreja de Corinto estava sob o juízo de Deus, como entender isso em pleno tempo de graça e misericórdia? Da mesma forma que entendemos o acontecido com Ananias e Safira, que entenderam errado o conceito de graça divina e fizeram da graça como eu sempre gosto de falar, um colchão que amortece a queda, sabe aquele colchão que você só acompanha nos making off das gravações? A graça para muita gente dentro das Igrejas simboliza aquele colchão, ou seja, você cai e a graça amortece a queda e o ser não sofre as consequências.  

    2 - Por que isto estava acontecendo?  Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.  1 Coríntios 11:31,32.

    3 - Ou seja, se eu após um autoexame encontrasse algum impeditivo para a participação na Ceia e mesmo assim não fizesse caso disso impondo a mim mesmo uma restrição, o Senhor faria isso, então, para não sermos condenados com o mundo num julgamento futuro, o Senhor nos repreende de forma dura através do testemunho e da advertência do Apóstolo Paulo à Igreja de Corinto. Um autoexame de forma consciente é um movimento de pura reflexão, é como se nós internamente fizéssemos uma deliberação ao nosso espírito e levássemos o nosso espírito ao crivo do Espírito Santo, nesse caso, o Espírito de Deus seria o nosso representante legal participando desse momento e avaliando absolutamente tudo.


    Ao final do meu autoexame, se algo fosse encontrado que me reprovasse, o próprio Espírito ministraria no meu espírito o meu próximo movimento (Salmo 19:12), porque existe o desagravo consciente e inconsciente, os conscientes estão diante de mim, e os inconscientes vão ser trazidos à luz no autoexame e aí a pessoa decide o que fazer, essa palavra autoexame se tornou muito popular a partir da implantação de alguns protocolos de saúde pública, a proposta é “se auto examine”, se você perceber algo, procure um especialista. Se no físico, nós já precisamos buscar um especialista, quando se trata de questões espirituais à quem você recorre? Davi após ser levado a um autoexame por Natã, faz o que? Pedro quando é levado para um autoexame na presença de Jesus, faz o que?

    4 - Se havia no contexto a passagem (morte física mesmo) de alguns irmãos, penso na total falta de reverência dessa Igreja quanto ao trato com as ordenanças de Deus, principalmente a Ceia.






    quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

    O Valor da Introspecção.

     



    POR: REINALDO CARLOS ROCHA.


    O Que é Introspecção?


    É um esforço de auto-observação interior. (fiquemos apenas com essa curta definição).

    Como se trata de um esforço, a consciência do indivíduo precisa de um tempo para codificar a informação recepcionada. Em tempos de agendas lotadas, essa possibilidade quase sempre é descartada, dessa forma, as atitudes sempre caminham na contramão da observação e por conseguinte, na resolução das questões.

    A mente precisa de um tempo para codificar o que recebe, isso se apresenta na forma de meditação, é deixar o interior ser preenchido com a informação para depois então analisar e dar seguimento ou não.


    Enquando estiver ministrando, encaixarei os versos bíblicos na ministração, esse assunto possibilita usar a Palavra de Deus em todo seu conteúdo, sendo a Bíblia uma perspectiva de mudança de mentalidade.


    Perceba o ser humano em sua forma descritiva em relação aos pensamentos, perceba também a divisão das faculdades da alma e do espírito, nesse ponto há a necessidade de estabelecermos para qual área a informação chegou. Parece algo de difícil compreensão, porém, essa atitude faz toda a diferença. Vejamos o nosso caso específico como, espero, leitores contumazes da Bíblia, recebemos informações o tempo inteiro, essas informações em forma de narrativas nos levam para o caminho da reflexão, quando estamos diante da narrativa por exemplo, de Abraão quando leva Isaque para o Monte Moriá, quem conhece a história já sabe o final, agora imagine uma pessoa tendo contato pela primeira vez com essa narrativa, que tipo de sensação pode desencadear nessa pessoa até o desfecho dessa narrativa de Gênesis 22? Por esse motivo chamo de "valor introspectivo", por se tratar de algo que reflete um grau enorme de importância em nossas vidas.


    Como se dá o conhecimento? São três as fontes, a saber:


    1 - Herança; 2 - Pesquisa, 3 - Revelação.


    Essa perspectiva é inerente a todo ser humano sem distinção, as variações não serão tratadas nesse artigo, se assim fosse teria que explorar a mentalidade ocidental e a oriental, essa não é a intenção primária aqui.

    Voltemos para a recepção da informação e em que área ela foi recepcionada.

    As três faculdades da alma são:


    1 - Intelecto.

    2 - Sentimento.

    3 - Vontade.


    As duas faculdades do espírito são:


    1 - Consciência,

    2 - Fé. (abro um parêntese na fé faço uma extensão para a adoração e devoção).


    Penso eu que, agora você já está apto a discernir as fontes do aprendizado, bem como as faculdades da alma e do espírito, cito aqui, espírito do homem.

    A meditação fará com que você perceba em que área a informação foi recepcionada, agora sim vamos acrescentar um texto ao que já foi ministrado.

    E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente,

    Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:16,17.

    Se pensarmos que o homem nessa passagem faz referência ao casal, podemos fazer uma análise mais profunda da informação recepcionada pelos dois, essa verdade é melhor compreendida quando acessamos o capítulo três do mesmo Livro, deixando claro que, não se trata da explicação em relação à queda, mas sim, de como Deus resolveu o problema da desobediência do homem.


    A mulher:


    Vamos direto ao ponto da informação recepcionada pela mulher. No capítulo dois o casal está junto e recebem juntos o imperativo de Deus, isso por si só, bastaria para que o casal sequer pensasse em chegar próximo ao local da árvore do conhecimento do bem e do mal, creio que havia uma distinção entre essa árvore e as outras presentes no Jardim do Éden. Certamente morrereis, não é algo que se informa sem peso de consequência grave, muitos expositores bíblicos citam a questão da inocência como resultado da desobediência, essa abordagem é perigosa, visto que o casal vivia plena consciência de tudo o que lhes foi apresentado por Deus, esse estado consciente do homem, o torna capaz de entender a possibilidade da gravidade no que tange à desobediência, perceba que, quando Deus, na viração do dia procura o casal, este já se achava consciente de que havia pecado.


    Certamente não morrereis:


    É a contrainformação. Em tempos de guerra diríamos que é uma estratégia para confundir o inimigo!

    Eva, no episódio da conversa com a serpente já recebeu uma mensagem anterior que produz um efeito na relação Espírito/espírito, não é uma mensagem qualquer, a referência é o distanciamento do espírito de Eva em relação ao Espírito de Deus, quanto mais longe, menos interferência, quanto menos olharmos para Deus e suas advertências contra o inimigo, mais nos tornamos presas fáceis para as suas argumentações, façamos um movimento introspectivo na questão da queda e suas implicações, principalmente, na natureza, nos parece que o dano causado pela queda ainda não faz parte do pensamento humano, bem, isso se explica pois, a queda também afetou a mente humana, outrora totalmente capaz de compreender, não só a verdade como também, discernir essa verdade sem a possibilidade de distorções.


    O conceito do bem e do mal navega nas águas da filosofia, da ética e da religião, esse é um movimento importante, pois, trata não somente da condição humana como também, de como essa condição pós inocência se torna perceptível na raça humana, adiantando um pouco a postagem, falo de Moisés no Monte Sinai recebendo a Lei que entre outras coisas, regulamentava essa dicotomia, parece que a Lei mexe no que o homem moderno chama de "livre-arbítrio".

    O ser criado pode escolher entre essas duas realidades e, segundo alguns historiadores, o mal somente se define como a ausência do bem, nesse ponto Santo Agostinho argumenta que isso se deve ao mau uso do livre-arbítrio.

    O Apóstolo Paulo em Romanos 7:19, trata desse conflito, há uma tensão entre os dois, parece um cabo de guerra! Na queda a consciência humana faz com que o casal se esconda de Deus, bem, isso revela que, havia um incômodo no coração do casal em relação ao ato praticado.

    O mais interessante nessa questão da queda é que me parece que Moisés não trata de fazer um apanhado geral da queda, o Patriarca trata de demonstrar como Deus resolveu o problema Gn: 3:15.

    Isso não diminui o peso das implicações.