terça-feira, 27 de outubro de 2026

Cinco vias que provam a existência de Deus em Santo Tomás de Aquino.

 


Tomás de Aquino (1225–1274) foi um frade dominicano, sacerdote, filósofo e teólogo italiano da Idade Média, amplamente considerado um dos pensadores mais influentes da Igreja Católica e da filosofia ocidental.

Principais pontos sobre sua vida e obra
  • Nascimento e Vocação: Nasceu no castelo de Roccasecca, no Reino da Sicília (atual Itália), em uma família nobre. Contra a vontade de sua família, que queria vê-lo em posições de prestígio militar ou eclesiástico, ingressou na Ordem dos Pregadores (dominicanos).
  • Filosofia e Escolástica: Foi o principal expoente do Tomismo e um dos grandes nomes da Escolástica — movimento medieval que buscava harmonizar a fé cristã com a razão. 
  • Influência de Aristóteles: Integrou a filosofia de Aristóteles ao pensamento cristão, defendendo que a razão humana e a fé não são opostas, mas complementares na busca pela verdade.
  • As Cinco Vias: Em sua obra mais famosa, a Suma Teológica (Summa Theologica), apresentou as "Cinco Vias", que são argumentos racionais para demonstrar a existência de Deus a partir da observação do mundo.
  • Legado: Foi canonizado em 1323 pelo Papa João XXII e proclamado Doutor da Igreja (recebendo o título de Doctor Angelicus).

Comumente se diz que Santo Agostinho cristianizou Platão, assim como Aquino cristianizou Aristóteles. Como este, Aquino parte do sensível para chegar ao inteligível como processo de conhecimento.
Assim, o filósofo cristão distingue cinco vias para caracterizar o conhecimento e provar a existência de Deus. Vejamos quais são: 

1. Primeiro motor imóvel: esta primeira via supõe a existência do movimento no universo. Porém, um ser não move a si mesmo, só podendo, então, mover outro ou por outro ser movido. Assim, se retroagirmos ao infinito, não explicamos o movimento se não encontrarmos um primeiro motor que move todos os outros;

2. Primeira causa eficiente: a segunda via diz respeito ao efeito que este motor imóvel acarreta: a percepção da ordenação das coisas em causas e efeitos permite averiguar que não há efeito sem causa. Dessa forma, igualmente retrocedendo ao infinito, não poderíamos senão chegar a uma causa eficiente que dá início ao movimento das coisas;

3. Ser Necessário e os seres possíveis: a terceira via compara os seres que podem ser e não ser. A possibilidade destes seres implica que alguma vez este ser não foi e passou a ser e ainda vem a não ser novamente. Mas do nada, nada vem e, por isso, estes seres possíveis dependem de um ser necessário para fundamentar suas existências;

4. Graus de Perfeição: a quarta via trata dos graus de perfeição, em que comparações são constatadas a partir de um máximo (ótimo) que na verdade contém o verdadeiro ser (o mais ou menos só se diz em referência a um máximo);

5. Governo Supremo: a quinta via fala da questão da ordem e finalidade que a suprema inteligência governa todas as coisas (já que no mundo há ordem!), dispondo-as de forma organizada racionalmente, o que evidencia a intenção da existência de cada ser.

Todas essas vias têm em comum o princípio de causalidade, herdado de Aristóteles, além de partirem do empírico, ou seja, de realidades concretas e de um mundo hierarquicamente ordenados. Vale também notar como Tomás de Aquino concebe o homem. Para ele, o homem é um ser intermediário. É composto de corpo (matéria) e alma (forma) sem as quais nada significa, isto é, nada é isoladamente. Assim, o homem é um ser intermediário entre os seres de forma mais elementar, como os minerais, as plantas e os animais, e os seres mais perfeitos como os anjos e Deus. O homem possui as características dos anteriores a ele e também dos procedentes na hierarquia do universo.

Entretanto, o conhecimento de Deus se faz por analogia, seguindo uma vida de negação que afasta dele todo elemento criatural. Mas somente isto redundaria num agnosticismo. E não se conhece Deus imediatamente como numa contemplação direta com a essência divina, mas somente através de um saber analógico em que todos os nomes não predicados, explicita ou implicitamente de modo negativo, Lhe aplicam tal sentido analógico, o que evidencia a distância infinita entre o Criador e as criaturas e também justifica os enunciados que de Deus fazemos (Deus é Bom, Infinitamente Sábio, etc.).

Essa doutrina da analogia que inclui semelhança e comparação se opõe à da iluminação; esta propõe um contato imediato com Deus. O abandono da Iluminação divina – experiência interna – pela analogia – experiência externa – acarretou suas consequências e dificuldades, a saber: em primeiro lugar, as criaturas semelhantes a Deus por serem causadas por Ele (causa equívoca) devem conter seus efeitos. Desse modo, a causa contém em si os seus efeitos; em segundo lugar, nada é univocamente predicável de Deus e das criaturas, o que de acordo com o dito acima (causa equívoca) seus efeitos também o são. A univocidade se enquadra em categorias e é a relação para a equivocidade, enquanto Deus não se encaixa em nenhuma categoria. Ele é simplesmente; e em terceiro lugar, alguns predicados não são enunciados do modo puramente equívoco de Deus, já que para Aquino, uma equivocação pura é um termo que, por simples causalidade, é empregado para designar coisas diversas. O tautológico não se relaciona com as coisas e se assim fosse, não teríamos dele conhecimento algum; e por último, que os predicados positivos são anunciados analogicamente de Deus e das criaturas. Em nossas predicações, o ser compete primeiro às criaturas e depois a Deus. E não o contrário, porque não há relações entre estes. Designamos Deus a partir do que deparamos nas criaturas de modo infinito (nas relações, ocorre o inverso, já que o predicado é anterior à natureza de qualquer substância).

Portanto, Santo Tomás de Aquino atribui a predicação de Deus e da criatura, somente por analogia, evidenciando entre eles uma distância infinita da qual nenhum conceito transpõe, já que Deus transcende infinitamente a criatura.

Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP


Por que Santo Agostinho achava a Bíblia entendiante?

 


Santo Agostinho (Aurélio Agostinho de Hipona) foi um importante bispo, teólogo e filósofo cristão, considerado um dos maiores pensadores da Antiguidade Tardia e fundador da base intelectual do pensamento católico medieval. 

Dados Biográficos
  • Nascimento: 13 de novembro de 354 d.C., em Tagaste (atual Argélia, no norte da África).
  • Família: Filho de Patrício (pagão) e Santa Mônica (cristã devota).
  • Juventude e Formação: Estudou retórica em Cartago e envolveu-se com o maniqueísmo e o hedonismo antes de se converter.
  • Conversão e Batismo: Converteu-se ao cristianismo em 386 d.C. após ouvir um chamado ("Pega e lê") e ler a Epístola aos Romanos. Foi batizado em 387 d.C. por Santo Ambrósio.
  • Episcopado: Tornou-se bispo de Hipona (atual Argélia) por volta de 396 d.C..
  • Morte: Faleceu em 28 de agosto de 430 d.C., aos 75 anos.
Principais Contribuições e Pensamento:
  • Fé e Razão: Defendeu a união entre a fé e a razão, célebre pela máxima "crê para entender e entende para crer".
  • Teologia da Graça e Livre-Arbítrio: Formuleu conceitos fundamentais sobre o pecado original, a graça divina e a liberdade humana.
  • Filosofia do Mal: Argumentou que o mal não é uma substância própria, mas o afastamento do bem supremo, que é Deus.
  • Patrística: É o expoente máximo da Patrística (os pais da Igreja).

Por que Santo Agostinho achava a Bíblia entendiante? 

Demorou um certo tempo até que ele descobrisse a beleza e a importância das Sagradas Escrituras.

Alguma vez você já chegou a pensar que a Bíblia era entediante? Santo Agostinho, sem dúvida um dos santos mais conhecidos de todos os tempos, tinha um sentimento semelhante sobre a Bíblia. 

No livro "Confissões", ele explica:

"Decidi dedicar-me ao estudo da Sagrada Escritura, para a conhecer. Vi ali algo encoberto para os soberbos e obscuro para as crianças, mas humilde a princípio e sublime à medida que se avança o velado de mistérios; e eu não estava disposto a poder entrar nela, dobrando a cerviz à sua passagem. Contudo, ao fixar nela a atenção, não pensei o que agora estou dizendo, mas simplesmente me pareceu indigna de ser comparada com a majestade dos
escritos de Cícero. Meu orgulho recusava sua simplicidade, e minha mente não lhe penetrava o íntimo. Contudo, a agudeza desta visão haveria de crescer com os pequenos; mas eu de nenhum modo queria ser criança e, enfatuado de soberba, considerava-me grande."

Em uma audiência geral de 2008, o Papa Bento XVI explicou algumas das razões pelas quais Santo Agostinho não gostava de ler a Bíblia:

"Ele começou a ler a Escritura, a Bíblia. Mas isso o decepcionou. Não só porque o estilo da tradução das Sagradas Escrituras era inadequado, mas também porque para ele seu conteúdo em si não parecia satisfatório."

Isso o levou a seguir a filosofia dos maniqueístas, uma seita herética, e por um tempo ele não. mostrou nenhum tipo de interesse pela Bíblia.

A MUDANÇA.

Entretanto, depois de ouvir os sermões de Santo Ambrósio, ele ficou cativado pela Bíblia, como explica o Papa Bento XVI:

"Agostinho percebeu que todo o Antigo Testamento era uma viagem em direção a Jesus Cristo. Assim, ele encontrou a chave para entender a beleza e a profundidade filosófica do Antigo Testamento, e compreendeu toda a unidade do mistério de Cristo na história".

Enfim, a vida de Santo Agostinho nos lembra que, apesar de a Bíblia parecer entediante no início, ela pode nos mostrar a beleza e a profundidade da história da salvação. De fato, as Escrituras podem mudar o nosso coração e, assim, podemos ver a Bíblia de uma maneira diferente.