terça-feira, 18 de novembro de 2025

Oliver Lee

 



CAPÍTULO UM.


As Soluções Nem Sempre Estão Relacionadas Com a Força de Vontade Mas Sim Com a Força de Caráter.


“Somos criaturas tímidas, que se entregam à bebida, ao sexo e à          ambição quando nos é oferecida a alegria infinita..." 

                                  

                                           C.S. LEWIS.

 

A história de Oliver Lee, tem início nos anos mil novecentos e sessenta, no mês de setembro de 1974 ele completará catorze anos, estamos em maio.

Quando voltava de uma venda, local de compras nos tempos antigos, os mercados da época, Lee como era chamado foi abordado por um homem que lhe ofereceu um panfleto de uma sessão de cinema numa cidade vizinha, o filme em cartaz era nada mais nada menos que Emmanuelle, algumas localidades da época haviam censurado até o cartaz promocional por entenderem "ousado demais" para a época, o filme, é claro, só poderia ser assistido por adultos, mas parece que, o homem estava querendo se livrar daqueles panfletos, e distribuiu para quem cruzasse o seu caminho.

Nascido em 1960 numa propriedade rural ao sul do condado de Suffolk, seus pais Dina e o senhor Harold que na época se deslocavam para uma propriedade rural para se juntar  a outros trabalhadores na colheita de batatas, atividade comum entre moradores daquela  região. O senhor Harold não tinha grandes posses em seu nome, porém, gozava da estima  de agricultores locais e de pequenas distâncias por sua disponibilidade para esse trabalho sazonal, Oliver tinha ainda mais dois irmãos, Stanley e Ernest, este último nascera com  problemas de visão e dependia quase sempre do auxílio dos irmãos para algumas tarefas  pessoais, não era um impeditivo para a felicidade.


De posse do panfleto, Oliver se apressou em dobrá-lo e num gesto repentino colocou-o no bolso de trás de sua bermuda, peça de seu uniforme escolar, o coração do jovem rapaz acelerou com a iminência de novamente abrir aquele panfleto e esmiuçar cada detalhe da mulher ali apresentada. Esse foi o primeiro contato de Oliver com o universo da "nudez", Oliver não sabia mas, uma carga de dopamina havia sido disparada em seu cérebro.


Trabalhando no contexto emocional, a dopamina se apresenta como um estimulante natural, sua produção acontece em diversas fases estimulando principalmente esse lado das emoções. Um neurotransmissor potente está prestes a desencadear estímulos jamais percebidos pelo jovem rapaz. 

Esse primeiro contato com a nudez feminina, não que o cartaz apresentasse a atriz do filme completamente nua, porém, a sensualidade estava no todo do cartaz, um chamamento para algo socialmente reprovável para a época. E lá estava Oliver, olhos fixos naquele cartaz, vez em quando uma espiada para se certificar que não estava sendo vigiado, o suor minava de seu rosto e suas axilas, seu estômago revirava com náuseas e mais uma vez sentia seu coração bater como se fosse sair do peito.


Uma abordagem sobre os efeitos da dopamina já estava em curso desde 1910 e em pleno desenvolvimento na década de 1950. Por óbvio, alguns estudos já avançados careciam não só de certificações como também, sua divulgação precoce sem uma análise complementar poderia por toda a pesquisa em perigo de perda e rejeição, nessa perspectiva, o Dr. Arvid Carlsson (Prêmio Nobel de Medicina/Fisiologia em 2000), desenvolveu um detalhado estudo[1], em que fornece uma análise completa sobre os efeitos desse neurotransmissor no ser humano.


Sei que você está lendo este livro e está aguardando o desfecho da história do Oliver Lee, porém, o desfecho é sempre o mesmo! Talvez você esperasse eu dizer mais sobre o que aquele cartaz causou na vida do jovem rapaz, mas, verdadeiramente a história de Oliver é apenas mais uma das centenas de milhares que acometem os seres humanos todos os dias. O mesmo flyer que fez a mente de Oliver explodir como a formação de uma nova galáxia foi atualizado. Na época de Oliver as revistas pornôs vendidas nas bancas de jornais eram materiais de consumo para os adultos, a cena da compra se comparava ao cometimento de uma contravenção penal, com roteiro de suspense e uma vergonha constrangedora, às vezes se levavam dias rodeando os locais de venda até a compra ser concretizada. As locadoras de filmes espalhadas pelos grandes centros e periferias contavam com um espaço, uma zona proibida ao acesso de menores, os que consumiam esse tipo de material faziam grandes deslocamentos para não dar de cara com aquela vizinha amiga de sua mãe ou quem sabe, até mesmo, algum membro da família, o que hoje para as pessoas se tornou algo normal, nessa época era de fato muito constrangedor, os irmãos mais velhos tinham acesso aos materiais proibidos, o que significava que, hora menos hora, esse material cairia nas mãos dos menores.

Como o título deste livro fala sobre conversão, quem sabe eu poderia esticar um pouco mais a história do jovem Oliver, talvez você me perguntasse: Quem se envolve com pornografia entra por um caminho de prazer momentâneo até uma próxima descarga de dopamina e outros hormônios ligados ao prazer? E eu te responderia, sim! Então quer dizer que, a partir do momento que uma pessoa "aceita" Jesus como seu Salvador, essas práticas desaparecem automaticamente, uma vez que a pessoa se torna uma nova criatura cessam os ataques malignos e essas enxurradas de hormônios de prazer imediato entram numa espécie de controle emocional dessa nova criação?


Bem, esse seria o mundo perfeito, milhares de pessoas ao se converterem conseguiram de fato abandonar as velhas práticas, mas, ainda há milhares de crentes, aqui alisto tanto novos como velhos convertidos batalhando contra essa realidade que atibge inclusive uma parte significativa da liderança dessas comunidades cristãs. 

Estudos recentes[2] mostram que, há uma porcentagem significativa de crentes que, ainda lutam de alguma forma contra o vício. Esse tipo de vício pode ser categorizado como uma questão de saúde pública já que os efeitos sobre as famílias são devastadores. No caso de Oliver, segundo estudos, o que se segue após a apresentação são gatilhos emocionais, ao que tudo indica, Oliver era um jovem saudável, não possuía histórico ou traços de abusos sexuais, com o avanço das pesquisas já se pode afirmar que o vício se manifesta por consequência dessas violências sofridas principalmente na tenra infância em ambos os sexos, esse é um fator de risco muito considerado pelos especialistas no assunto. 


Vou tomar como referência o estudo abaixo linkado e incluir Oliver nesse estudo. Após sua conversão, o efeito do chamado "primeiro amor" em ritmo acelerado fez do jovem Oliver uma nova criatura realmente, tanto que, seu caminhar ministerial apontava para um ponto alto na escala eclesiástica, não é de se surpreender com esses jovens, sua paixão, sua garra, sua disposição e disponibilidade para a obra são de fato testemunháveis. Para àqueles que convivem com esses jovens fica difícil discernir o que de fato se passa em suas vidas entre quatro paredes, suas conversas, seus pensamentos, suas tentações e até que se prove o contrário, Oliver está num progresso que culminará em breve com sua ascensão ao púlpito. Mas, enquanto por um lado, há toda essa expectativa depositada no jovem, por outro lado infelizmente, ouve-se rumores de que, o promissor Oliver esconde segredos que, se revelados poderiam causar-lhe danos irreparáveis, as conversas de canto de boca por vezes revelam um certo ciúmes nos demais, afinal, ser o destaque da turma, também pode causar certos sentimentos não tão cristãos assim. O tempo passou e a chama do primeiro amor diminuiu, os longos períodos de orações e vigílias foram trocados por desculpas de "falta de tempo, cansaço espiritual, excesso de tarefas ministeriais". A frequência nos cultos diminuiu drasticamente, alguns irmãos da congregação, preocupados lhe fizeram uma visita, pois, há muito não encontravam o jovem entre os outros.


Oliver pediu para "dar um tempo", talvez novos ares ministeriais renove sua caminhada, talvez algum pastor de outra comunidade traga alguma novidade que reacenda a chama em seu espírito. Talvez uma nova unção faça com que os distúrbios cessem, as visitas aos sites pornôs diminuam, quem sabe, uma namorada e possivelmente um casamento não aplaque o velho homem, quem sabe o nascimento de um filho não seja o que realmente Oliver precisa para retomar sua caminhada cristã, afinal, Oliver precisa ter responsabilidades familiares, só assim, retomará seu caminhar com Cristo. Prezado leitor, vou passar para você essa responsabilidade de dar uns conselhos para o Oliver, o que você diria que fizesse essa "jovem promessa" retomar sua vida ministerial, afinal, tamanha potência precisa estar na linha de frente da obra de Deus.

Apresente então para o Oliver a sua fórmula infalível para arrancar esse "jovem" das garras do mundo das relações sexuais ilícitas, se precisar te enumero algumas, vamos lá? Lembre-se, essas são as "fórmulas" usadas frequentemente por quem assiste as milhares de vidas que de uma forma ou outra procuram ajuda.


1 - Para se livrar do vício da pornografia, procure ajuda profissional, como um psicólogo, de preferência, especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).


Deixa ver se entendi: Um psicólogo poderá me ajudar a enfrentar essa luta? Mas ele com certeza irá me receitar algum tipo de antidepressivo, ou ansiolítico, não sei se isso irá me ajudar. 


2 - Você precisa procurar alguém de confiança dentro da sua comunidade e expor seu pecado, desabafe, conte tudo sem reservas, além de você sentir um alívio, agora terá alguém orando por você.


Deixa ver se entendi: Alguém de confiança poderá me ajudar a enfrentar essa luta? Mas ele com certeza irá me monitorar 24 horas por dia, ligar o tempo todo, tipo ficar de vigia?, bem até poderia ser, porém, não enxergo ninguém que preencha o requisito na questão da confiança! Não sei se isso irá me ajudar. 

3 - Você precisa traçar metas, desde a hora de acordar até a hora de dormir, essas metas incluem tarefas, umas simples, outras, não tão simples assim! Mude sua rotina, e estabeleça alvos que o impeça de pensar no assunto, você pode trocar os pensamentos já estabelecidos por tarefas que te causam prazer, sem com isso ter que acessar as redes sociais ou aqueles grupos de família, trabalho, escola, faça uma caminhada, vá ao shopping, saia para passear com seu pet, etc...

Deixa ver se entendi: Mudar a rotina e traçar metas poderá me ajudar a enfrentar essa luta? Mas, isso é tão clichê, e se nessas novas rotinas acontecer a tal fadiga proporcionada pelas rotinas novas e eu me ver obrigado a retomar as velhas rotinas e cair novamente, isso não parecerá o fim da linha, já que, as possibilidades de libertação vão se esgotando? Não sei se isso irá me ajudar. 

4 - Vamos falar sobre os gatilhos, aqueles mesmos que desencadeiam uma série de pensamentos e abrem portas para a imaginação. No que estou pensando agora? Como posso administrar esse ou aquele gatilho? Uma lembrança me vem à mente e eu sou levado ao campo da batalha, parece incrível mas, eu já obtive algumas pequenas vitórias no campo de batalha porém, se hoje eu fosse pesado, ainda me encontraria em dívida. Tenho vivido umas fantasias com aquela nova colega de trabalho, quando a vejo me bate um desejo imenso de criar uma cena, aliás, esse tem sido um gatilho constante nessa luta. Será que o Diabo está usando aquela pessoa para me confrontar no campo das tentações? Outro gatilho passa pela questão da rejeição, tanto pessoal como a do julgamento alheio, me sinto frustrado e minha válvula de escape logo é acionada, não encontro forças para orar por isso, no momento sinto que não serei ouvido.

Deixa ver se entendi: Essa é uma questão interessante, de que forma esses gatilhos são disparados? Eu posso evitá-los? Para este caso, frequentar certos ambientes pode ser o start para o acionamento desses gatilhos? E se eu deixar de frequentar certos locais, isso pode me ajudar a diminuir a carga de dopamina? Não sei se isso irá me ajudar. 

Li a história de um querido que atravessou de uma cidade para outra para ministrar em um encontro de casais, ele foi chamado pois, já havia escrito uma série sobre esse assunto, segundo escreveu, sua batalha havia durado anos contra a imoralidade e mesmo ministrando em sua Igreja, ainda batalhava contra os desejos da carne, no percurso, algumas vitórias e algumas derrotas, por vezes ficou limpo por períodos duradouros, meses e até anos e entendia que o pecado jaz à porta e qualquer deslize seria fatal, afinal, o Inimigo jamais desiste! O convite partiu de um pastor que estava com um alto índice de membros de sua comunidade enfrentando problemas de ordem sexual.

O amado conta que durante o percurso precisou parar em um posto de gasolina para abastecer e comprar umas "bobagens" para a viagem. Ao entrar na loja de conveniência do posto, se deparou com uma fileira de revistas com conteúdo adulto, tentou ao máximo desviar o olhar daquelas capas com fotos e todo tipo de nudez. O homem foi levado ao campo de batalha e se juntar a outros lutadores mas, no caminho foi provado, disse ele: "Senti um arrepio tomar conta da minha alma, senti minha mente sendo sugada para dentro daquelas páginas. Como estariam aquelas mulheres exuberantes?"

As revistas vinham acompanhadas de um "cd" colado na contracapa. Água, refrigerante, salgadinhos e chocolate, o carro deixa o posto, a playlist toca louvores ao Senhor, mas a mente está anestesiada, o suor das mãos molham o couro do volante, a viagem se torna um transtorno, o sermão preparado há dias começa a não fazer o menor sentido, por que não trouxe a esposa ou um pastor auxiliar, um diácono, uma luta está sendo travada na mente do nosso querido amigo.

Deixa ver se entendi: Ainda estamos nos gatilhos, certo? Como pode depois de tanto tempo e caminhando em vitórias, uma simples foto na capa de uma revista causar uma ruptura dessas nas convicções do pastor?  Bom, há um problema que segue os lutadores, perceba que as nossas batalhas no campo da fé são muitas vezes batalhas solitárias de noites mal dormidas, campanhas, viagens, pregações semanais, aulas, ministrações e atendimentos e não só isso, a resolução de problemas que chegam o tempo inteiro nos gabinetes. Houve um homem na Bíblia e você conhece a história dele que matou mil homens com a queixada fresca de um jumento, oh, quão grande vitória! porém, após essa grande vitória uma desidratação tomou conta de seu corpo, provavelmente suas células procuraram água e não encontraram, isso levou ao delírio, confusão mental, tontura entre outros sintomas, o homem clama a Deus e pergunta se após aquela grande vitória seria deixado ali para morrer nas mãos daqueles homens? Deus então abre um buraco no chão e o homem bebe da água e logo recupera as forças. Não há relatos de quantas horas foram necessárias para aquele homem derrotar outros mil naquela grande batalha, a questão que se coloca é, será que daria tempo de parar e prestar atenção a esse detalhe? Às vezes estamos tão imersos nas "coisas de Deus", que esquecemos do simples gesto de tomar água. Talvez isso me ajude, mas, não me sinto confortável!  Continuemos tentando ajudar o jovem Oliver.

5 - Conheça-se. 

Deixa ver se entendi: Você deve estar falando sobre autoconhecimento, seria uma análise profunda do meu eu interior onde busco as fontes das minhas virtudes e defeitos, assumo que, de fato tenho problemas e que preciso lidar melhor com meu próximo e ser mais receptivo às críticas sem deixar que isso ou aquilo abale minha autoestima, afinal, há uma pessoa dentro de mim que é forte e possui qualidades ainda não reveladas, mas, a pessoa que estou tentando ser boicota o melhor de mim e quando tento tomar decisões ela já fez isso e sempre foi assim, sempre que tento mudar ou fazer algo diferente, eu até consigo avançar algumas casas mas, logo volta o desânimo e com ele a queda! Não sei se isso irá me ajudar. 

Uma faculdade no Sudoeste da Inglaterra numa cidade de 120.000 habitantes, tendo a proximidade da praia como um dos seus atrativos, recebe muitos alunos de outros países. Seus jardins são considerados os mais belos em comparação com as outras faculdades, o que também colabora para o prestígio de quem busca por estudos de qualidade e uma fuga dos grandes e agitados centros. Lumi e Sanna duas jovens estudantes filandesas estão entre as alunas que ingressarão para o primeiro ano do curso de gestão de arquitetura e construção. Próximo ao Campus, vinte minutos de caminhada fica uma república que há anos abriga estudantes vindos de outros países, essa é a realidade das jovens agora, moradoras provisórias dessa república. 

Liam Taylor um jovem está próximo ao campus, sentado em um banco na praça central da pequena cidade, olhar perdido no horizonte, tem ao chão um pote de sorvete que acabara de tomar oriundo de uma doação, já que Liam não tinha recursos e não parava de observar algumas jovens em frente a sorveteria. Liam havia sido detido pelas autoridades locais pois estava em situação de rua praticando pequenos furtos, esses delitos já haviam sido comunicados às autoridades e as mesmas já conheciam Liam de outras ocorrências com o mesmo teor. Liam não era violento, mas abusado em suas abordagens, para um local pacato, Liam era considerado "fora dos padrões sociais". Ele havia recebido um ultimato de uma assistente social que havia levantado a história de Liam e descoberto que o rapaz não pertencia àquela cidade e que tinha familiares há alguns quilômetros dali, então decidiu encaminhá-lo ao serviço de acolhimento para tratar do processo de envio para sua cidade de origem.

E ali estava Liam tentando juntar alguns trocados para comprar uma passagem de trem, o jovem estava distante de seu local de moradia e necessitava fazer uma viagem longa de regresso, porém, não contava com a totalidade do dinheiro para comprar um bilhete, no pote de sorvete apenas algumas moedas que juntas somadas, nem de longe pagariam a passagem. Liam começa a ter pensamentos estranhos, precisa de qualquer forma do dinheiro para a viagem, na alça de mira de Liam, uma jovem sai de uma agência bancária, a fragilidade física da moça e seu caminhar lento em direção a uma rua pouco movimentada criam o ambiente perfeito para que Liam envolto em pensamentos confusos, mais uma vez pratique um assalto. A moça acabara de sair do banco, deve ter algum dinheiro na bolsa, pensou Liam. Pensou também na possibilidade de ser novamente preso, mesmo assim, decidiu continuar seguindo sua presa, em seu coração dizia que, se conseguisse seu intento, seria essa a última vez!


A jovem percebeu a investida do rapaz e apressou os passos, quando se aproximava da entrada da república foi alcançada por ele que a forçou entrar no apartamento. Liam repetia que só queria um certo valor em dinheiro, nada mais! A moça conseguiu acalmá-lo e prometeu que se ele não fizesse nada com ela, ele teria o dinheiro, Liam se acalmou. Enquanto Sanna separava a quantia, Lumi chega à república e fica confusa com a presença de um homem em seu apartamento, Lumi logo percebe a situação e começa a ameaçar Liam para que ele saia de seu apartamento, nesse momento Sanna estende a mão segurando uma quantia em dinheiro, porém, Lumi é mais rápida e antes de Liam se apropriar do dinheiro ela o toma e recua e num gesto pega o celular e diz que vai ligar para a polícia. Liam sabia que, essa seria sua última oportunidade, não queria saber de novamente ser detido, porém agora, havia um crime em curso, invasão de domicílio e grave ameaça, e por fim, roubo.  

Deixa ver se entendi: O desfecho dessa narrativa é chocante! Liam, ao se sentir ameaçado, pegou uma garrafa de vinho que estava sobre a mesa e a quebrou na borda da pia, fez-se então uma arma que foi usada para cortar em pedaços as duas moças, Liam seria preso horas depois vagando por um parque, confuso, totalmente petrificado. Autoconhecimento, verdadeiramente nós nos conhecemos? E se Lumi não tivesse uma reação tão agressiva, será que Liam pegaria o dinheiro e de fato retornaria à sua cidade Natal? Essa história foi muito discutida sob o tema da "Inteligência Emocional, Livro de Daniel Goleman, 1996". O livro faz uma referência interessante sobre nos "reconhecermos sob estresse." Em situações de estresse como meu comportamento pode mudar ou ser afetado por informações contrárias à minha vontade? Não sei se isso irá me ajudar. 

O que aconteceu com Liam é motivo de estudos em todo o planeta, como uma informação pode desencadear uma série de atitudes agressivas dentro de uma situação que parecia estar sob controle? Como um simples sinal de seta não informando a direção pode desencadear uma briga de trânsito que culmina em morte ou perseguição em via pública? Um marido que atira a esposa do 12º andar após uma briga comum que tomou proporções gigantescas. Um pai que espancou o filho desobediente ao ponto de mandá-lo para a UTI de um hospital. Você realmente se conhece?


No filme " The Shawshank Redemption, 1994, Frank Darabont ". Chegou para nós como, 'Um Sonho de Liberdade", o personagem Ellis Boyd Red, vivido por Morgan Freeman é sentenciado à prisão perpétua, de tempos em tempos uma banca de juristas é formada para analisar a situação dos presos e o parecer da banca pode, dependendo da situação, levar para fora das grades mesmo alguém que está na condição de prisão perpétua. 

A pergunta feita pelo promotor público é simples: O senhor acredita que está ressocializado? A resposta de Boyd era sempre, sim! 

Um carimbo era batido na ficha do preso,"denied", (negado), o preso simplesmente se levantava e voltava para sua rotina na prisão.

Próximo ao final do filme lá está Boyd novamente diante da banca, Boyd sempre respondia sim à mesma pergunta: "está pronto para voltar ao convívio social, se sente ressocializado"? Ressocializado? A pergunta de Boyd ecoa pela sala, os olhares se cruzam e Boyd continua, ressocialização é só uma palavra que inventaram para que jovens advogados pudessem usar ternos caros, vocês querem saber se estou arrependido? Façam a pergunta? Então ele revela que, não tem um dia que ele não se arrependa e se pudesse voltar no tempo diria para aquele jovem estúpido para não puxar aquele gatilho, ele termina dizendo em tom provocativo coisas do tipo, vamos lá carimba logo sua decisão pois preciso voltar para minha cela, não me faça perder tempo com suas perguntas. Dessa vez o pedido foi aceito, e ele deixou a prisão sob condicional.

Você acredita no arrependimento de Liam, estamos falando de um caso que ocorreu na década de 1980, como está Liam hoje? Acha que um dia ele também se apresentará diante de uma banca de advogados e contará com lágrimas nos olhos o quão arrependido está por ter feito o que fez aquelas duas jovens estudantes? Então é isso, ajude o Oliver a tomar a melhor decisão, ponha na mesa as alternativas, seja você o aconselhador de Oliver, você está disposto em assumir esse papel, afinal, existem muitos Olivers esperando por uma resposta sua e minha.

CAPÍTULO DOIS.

ANATOMIA.

O elemento básico usado para formar o homem foi a própria terra, o relato da criação chama de "adamah", referindo-se ao solo mesmo, o barro. O relato da criação, porém, passa por cima de detalhes que despertam nossa curiosidade como por exemplo, como era esse "protótipo", que tamanho tinha, era careca, como se formaram os órgãos internos, já nasceu evoluído ou foi evoluindo com o passar dos dias? Temos outras curiosidades, porém, não cabem aqui!

O relato continua, após a formação do homem (Adan), este necessitava de um elemento externo em direção ao interno, o fôlego de vida. O escritor do Gênesis então aponta para um sopro divino que anima esse Adam (ser humano), e continua informando que esse sopro o torna uma alma vivente, dessa forma, está completa a chamada "coroa da criação", agora, o Adam é tanto exterior, como interior.

O homem necessitava de companhia, assim como os outros animais habitantes do Éden, conhecido como o local da habitação dos seres criados. A informação que temos é que o Criador (Deus), viu que não havia uma pessoa para dividir o tempo com o homem, então, resolveu que faria uma companheira para ele, nasce então a mulher. Um casal padronizado à ética do Criador, o local da residência oficial do casal é chamado Jardim do Éden, é a nossa casa, lugar de desfrutarmos dos momentos mais felizes, os banquetes à mesa, as festas, a correria das crianças, o local onde recarregamos nossa "bateria" ao fim de um dia de trabalho, onde cuidamos da saúde e vivemos cercados de amor por todos os lados, mas é também nosso local de desafios, ninguém está imune aos dissabores da vida, adoecemos, perdemos parentes, nos entristecemos e por fim, nos recuperamos, seguimos em frente, ninguém prometeu alegria vinte e quatro horas.

Oliver recebeu um panfleto de um filme sobre nudez e aquilo foi o start para uma vida dissoluta, ele se descobriu e descobriu sua nudez e não conseguia lidar com ela, a nudez abria uma porta para a licenciosidade e pensamentos descontrolados de luxúria, os vídeos repetidos já não transmitiam o mesmo grau de prazer, havia a necessidade de algo mais pesado, mais realista, mais sujo, mais intenso, o sofrimento da atriz causava um prazer, uma sensação de domínio da situação, Oliver estava no comando.

O pastor pregou a mensagem no automático, coração acelerado, cada versículo era como uma espada penetrando na alma do homem, cada frase de efeito era como um soco no estômago, a mente estava cauterizada, as imagens impuras pairavam sobre a mente do pobre pecador, a tortura do ponteiro do relógio que parecia estar parado. "Logo hoje foi aparecer tanta mulher bonita nessa igreja, olha as roupas daquela moça, e aquela outra, será que não se olhou no espelho antes de vir ao culto? Como é que um marido permite à mulher sair assim com essa roupa tão miúda"?

Lascívia é a sensualidade desordenada, caminho de quem não consegue controlar seus impulsos, quando se trata do outro, esse tem pouco valor, importa apenas que o lascivo tenha seus desejos satisfeitos, nesse caso, não há limites, algumas mulheres contam em gabinetes pastorais histórias que causam repugnância em quem ouve, mas náo é só isso, muitos líderes expõe o seu pior lado nos momentos de intimidade, a grande tragédia é que muitos, continuam exercendo seu ministério como se de fato absolutamente nada estivesse acontecendo, nesse caso, a voz do Espírito Santo já não faz diferença. "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção". Efésios 4:30 | ACF.


Foi assim que Deus disse?


Há uma espécie de serpentes conhecidas como cobras cuspideiras, as mais comuns são a corais e as mambas, essas serpentes utilizam o veneno tanto no aspecto defensivo como no predatório, tem a capacidade de lançar seu veneno a três metros de distância, o alvo principal é o rosto de suas vítimas e principalmente a região dos olhos, a toxicidade do veneno tem a capacidade de causar uma cegueira imediata fazendo com que a presa fique confusa e assim o ataque é sempre preciso, a quantidade de veneno é ajustada de acordo com a presa, essa evolução é importante pois, mostra a astúcia desse tipo de serpente.


Há uma árvore no jardim, o Criador advertiu o ser humano para não comer do seu fruto, caso contrário, morreria! O homem leva a sério a advertência do Criador, não há informações sobre quanto tempo até a tentação, fato é que, a narrativa bíblica descreve o exato momento do ataque certeiro da serpente.

A Bíblia foi escrita por quarenta autores, o término dessa construção leva mil e seiscentos anos, o Criador pelo seu Espírito inspira o homem sobre o que escrever, cada autor narra dentro do seu contexto, a realidade bíblica expõe a história da humanidade, o Criador tem um plano de redenção para o homem caído. Fora do Jardim o homem experimenta as agruras da terra agora amaldiçoada, o pecado deforma o homem, a lembrança dos dias inocentes de contemplação das coisas criadas agora dão lugar ao suor e cansaço, não há mais conversas à viração do dia, a mulher engravida, os hormônios causam mudanças drásticas em seu corpo, Eva nota mudanças em sua estrutura física, seu humor, náuseas, vômitos e por fim, a dor das contrações e o parto, o Criador já havia preparado a mente da mulher.

Talvez, durante esse período homem e mulher se pegaram refletindo sobre como caíram fácil na conversa da serpente, como puderam ser tão ingênuos ao ponto de achar que seriam como o Criador, não precisávamos disto, tínhamos tudo no Éden, nada nos faltava! O autor do Gênesis narra que, para não retornar ao Jardim do Éden, o Criador pôs querubins ao norte do Éden, e uma espada inflamada ao redor para guardar o caminho da árvore da vida. O caminho de retorno terá que ser feito de outro modo. O Criador sabia que, a partir da queda as capacidades humanas para tomarem decisões seriam afetadas pelos seus próprios julgamentos e é claro, essas decisões provocariam uma série de efeitos devastadores na humanidade. Uma pessoa no seio da família que não consegue controlar suas compulsões sejam elas quais forem, pode levar a derrota de todos. 

Esaú detém a primogenitura que está ligada ao campo espiritual, a narrativa bíblica nos mostra que há uma diferença gritante entre o homem carnal e o espiritual, Esaú nasceu primeiro tendo seu irmão Jacó agarrado ao seu calcanhar. Jacó queria ser o primogênito, porém, deve obediência às regras estabelecidas, esperto como ele só, Jacó arma um plano para tomar de seu irmão esse lugar de honra. A narrativa é conhecida e por um guisado à base de lentilhas, Esaú passa a Jacó o direito à primogenitura. Esaú não dava importância para as coisas do espírito, tudo o que desejava era o prazer imediato, um prato de lentilhas lhe custa essa bênção, o chamado mundo espiritual avalia nossas decisões, quando então Isaque chama Esaú para abençoá-lo, Jacó põe com a ajuda de Rebeca o seu plano em ação, a benção é dada a Jacó, Esaú, por seu desprezo com as questões espirituais fica de fora do banquete da graça. Vou citar Freud pelo simples fato de que o pai da psicanálise moderna trata dessa questão do prazer que rege o nosso inconsciente e a realidade que me chama para a bifurcação do posso ou não posso. Freud explica que o prazer quer relaxar as tensões, a ideia é que quando o prazer entra, as tensões tendem ao declínio. O mundo real com suas tensões nos afetam de forma avassaladora, o prazer então encontra essa realidade e trata e absorve as tensões, você pode pensar agora o que significam essas tensões e como elas determinam seu modus vivendi. Como aliviar essas tensões?, como escoar essa carga hormonal?, a vida nos comprime, os problemas do cotidiano, as vezes parece que estamos dirigindo um carro com muita gente dentro e cada um quer ir para um lugar diferente, como posso agradar a todos? Pois é, uma das tarefas que mais nos tensionam passa pela questão do politicamente correto, a visão que as pessoas tem do meu comportamento, como eu me apresentei à elas, o que elas pensam sobre mim, Jesus não estava tenso, ele só queria fazer um teste com seus alunos, durante uma caminhada ele faz uma pergunta direcionada à percepção dos discípulos, ele já os havia confrontado com a "Parábola do Semeador", atônitos, se entreolham, de cara não percebem que Jesus fala dele mesmo até o Mestre lhes explicar, agora é diferente, Jesus quer saber o que as ruas falam dele, como as pessoas o enxergam, seus alunos então citam ao professor o que ouvem aqui e ali, "uns dizem que tu és João Batista, outros que tu és Elias, outros Jeremias ou um dos profetas". A caravana de repente para, o silêncio toma conta do local, o Mestre olha ao redor e questiona seus alunos: "E vocês, o que dizem que sou"? Nesse momento, o mundo espiritual se abre sobre a cabeça de Pedro, o Apóstolo, a conexão de Pedro com o Criador é imediata, Pedro está buscando, talvez nas madrugadas, nas caminhadas, nas lutas e em suas indagações e quem sabe em suas reclamações, seu discurso no Pentecostes fala de arrependimento, lembra do Boyd, do filme, aquele prisioneiro que recebeu liberdade condicional? Só pode falar em arrependimento quem verdadeiramente consultou seu estado espiritual e se viu em dívida, não é desculpe-me, não é um sentimento de remorso, arrependimento significa uma concordância com o Pai, o Filho e o Espírito Santo! Penso que Freud foi bem em sua análise da psiquê humana, mas, esqueceu da conexão espírito e Espírito, Freud fala da realidade do prazer e do absoluto alívio das tensões, a questão não é se posso ou não posso, a questão que se coloca é que há uma possibilidade de retorno ao Éden, o Criador expulsa o casal, mas, não os deixa de mãos abanando, promete a eles um redentor, Adão, vá lavrar a terra, Eva, multiplique, frutifique, ainda que com dores, não deixe de dar frutos, de ti sairá um descendente que estabelecerá uma linhagem, eles me buscarão e invocarão o Meu Nome e saibam, Eu os ouvirei pois, me buscarão de todo coração. 

Essa verdade é tão clara que no Gênesis a linhagem dos Setistas começa a invocar o nome do Senhor, diferentemente da linhagem de Caim, a linhagem de Seth  é piedosa e através dessa linhagem o plano redentivo de Deus segue seu curso, pois, é em Seth que a aliança progride para que Deus seja manifestado ás nações, penso ser essa a maior entre todas as ações de evangelismo ao redor do planeta, ou seja, fazer Deus conhecido de todos, quer estejam perto, quer estejam longe!

O Eterno então vai agregando povos, línguas e nações, Seu chamado ecoa nos quatro cantos da terra, levado pelos quatro ventos, homens e mulheres ouvem Sua voz, a um Ele ordena, "Sai da tua terra, a outro o faz Filho da Promessa, a outro, o torna o Pai das Doze tribos de Israel, já a outro o faz a figura central do judaísmo, chama uma mulher para ser Juíza e liderar a vitória contra os Cananeus garantindo 40 anos de paz, vá até Hebreus 11 e tenha acesso a galeria dos heróis da fé, pessoas que na sociedade atual jamais seriam chamadas para exercer qualquer tipo de ministério em nosso meio, afinal, somo muito seletivos".


                                           CAPÍTULO TRÊS.

OS RINS.


Eliminar, manter e atuar, as funções renais são conhecidas, alguns dizem, "os rins são o filtro do corpo humano". Todo dejeto corporal é eliminado pelos rins, os rins mantém um equilíbrio hídrico importante eliminando o excesso de água, sais e eletrólitos, atua também na produção de hormônios e participa na formação de glóbulos vermelhos, entre outras funções. 

Substâncias tóxicas são filtradas e eliminadas pelos rins, a filtragem do sangue também é de sua responsabilidade. 

Parece que o Salmista compreendia essa função renal, então, no Salmo 26:2 ele pede a Deus que "esquadrinhe os seus rins", nesse contexto, os rins eram vistos como o centro das emoções e da essência do ser, além do coração. Em Jeremias 17:10 está escrito: Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os rins: e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações, para os judeus os rins simbolizavam o caráter da pessoa. 

As glândulas suprarrenais produzem adrenalina, dessa forma quando passamos por qualquer situação de estresse ou mesmo situações de emergência esse hormônio entra em ação preparando nosso corpo para uma reação. Lembrando sempre que, quando há uma descarga de adrenalina cada pessoa reage de uma forma diferente. Oliver nesse contexto é o nosso material de estudo. Vamos rasgar o panfleto ofertado ao Oliver, deixemos ele agora apenas com a imagem da atriz, eis ai o tal "gatilho", por que entre aspas, porque muitas vezes, esse "gatilho" é provocado. Questões como frustração e também recompensa estão envolvidos nos disparos, acredite, isso acontece! Tudo o que o cérebro precisa agora é de uma motivação, um início, apenas uma olhadinha, apenas um flerte, aquela paquerinha descompromissada com a colega de trabalho, as confidências entre amigas(os), que chegam aos ouvidos da pessoa em questão, conversas que são iniciadas procurando termos comparativos tanto em relação ao homem e suas virtudes, como também de suas falhas de caráter, envolvimentos e aconselhamentos às escuras, confissões de maus tratos entre outros. Oliver já não mais precisa olhar para o tal panfleto, sua mente agora viaja para qualquer lugar do mundo e cria as situações perfeitas para um relaxamento, a atriz agora está impregnada em seus neurônios, a mulher ideal, ela se deixa dominar, cumpre cabalmente todos os meus desejos, não questiona, não ignora, está sempre pronta, sempre limpa e perfumada, as relações em casa ficam insuportáveis, rotineiras, sem sal, sem desejo, sem interesse! 


Mudando o uso natural.


Não é de hoje que todas essas experiências permeiam o contexto humano, o que começou com um "inocente" panfleto, agora se torna um pesadelo para o ser criado, questões como masculinidade e feminilidade já não importam, a sociedade busca a igualdade, o apóstolo escrevendo aos romanos 1:28 destaca que, "Deus os entregou a um sentimento perverso."

Perceba que Deus se interessa por esse assunto, é claro que Ele não deixaria o ser criado entrar por essas veredas sem antes lhes mostrar as consequências de suas ações.

Uma das maiores dificuldades de quem não consegue abandonar os pensamentos lascivos é, em primeira instância reconhecer o orgulho dominante, esse é um passo que pode ser medido em metros, digo isso porquê, uma vez que reconhecemos nossas falhas e nos arrependemos com sinceridade, damos um super passo em direção a libertação. 

Andando pelas ruas da cidade nos deparamos com indivíduos morando nas calçadas, dormindo embaixo de estruturas concretadas, frias, úmidas, sujas. Alguém com um bom coração vez em quando estaciona um veículo e entrega algum tipo de alimento ou mesmo um punhado de roupas para aquecer nas noites gélidas de inverno, enquanto teclo esses caracteres que você está lendo, nosso país registra 316 mil pessoas nessas condições.

Algumas perguntas me seguem todas as vezes que os encontro, muitos deles são gentis, receptivos, educados. Como foram parar ali? Será que tiveram oportunidades? Há alguém os esperando em casa? São filhos? São pais? São mães? Como chegaram nisso?


A vida nos impõe regras.


Reflections of My Life (reflexões da minha vida, Marmalade, 1969/1970), é óbvio que eu poderia substituir esse título por um versículo bíblico, porém, o que quero expressar aqui é a questão do ano em que esse hit foi escrito e assim que foi lançado, chegou ao topo das mais tocadas, a década de 1970 foi marcada pela transição geracional, uma época marcada por tranformações sociais de profundo impacto na sociedade, o mundo ainda tentava limpar a poeira do pós guerra de 1945, quando novos rumores de guerra ecoam nos noticiários, uma guerra por unificação, Vietnã do Norte contra Vietnã do Sul, o ano é 1959, uma queda de braço que só foi resolvida em 1973, não sem antes em 1965, os Estados Unidos tomarem partido ao lado do Vietnã do Sul e desembarcar suas tropas para auxiliarem no grande conflito, porém, a unificação só aconteceu quando os americanos embarcaram de volta ao seu país, o êxito foi conseguido pelo Vietnã do Norte, nesse contexto, 4 milhões de vidas se perderam. 


"Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá". Mateus 12: 25.

Reflections of My Life, penso que, tudo o que uma pessoa deseja é retornar para sua casa, algumas circunstâncias nos tiram do nosso lar, quando estamos longe, pensamos em voltar e rever nossos entes queridos, Dean Ford (Thomas McAleese, nome de batismo), autor da música a entoa num tom de profunda tristeza, saudade e uma visão opaca da vida, tudo nessa canção fala de resignação, conformidade, era isso o que o mundo oferecia para esses jovens, então, voltar para casa era um pedido quase que desesperado, nada mais havia para ser vivido, "o mundo é um lugar ruim", "me leve de volta para o meu próprio lar". 

Como então viver sob as regras desse mundo? Como viver sob as regras de um lar dividido em que tudo parece despedaçado pelas guerras familiares? Que dilema difícil de resolver, mas Jesus oferece uma solução àqueles que resolvem entender, não esse mundo, mas como esse mundo sem ele é um caos total, quando reflito sobre minha vida nesse mundo, fatalmente me vem a fadiga, mas quando reflito no mundo vindouro, sem lágrimas nem dor, o desejo de voltar ao meu próprio lar ganha outro significado.








 







[1] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2824994/

[2] https://pt.christianitytoday.com/2024/10/pornografia-cristaos-homens-problema-saude-sexual-pt/



















quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Hebraico 1 - Curso Completo Bíblico Antigo Testamento.

 




Hebraico 1 - Curso Completo de Hebraico Bíblico.

Os alunos perguntam: Por que devo aprender Hebraico?
O professor responde: Ora, o Hebraico nos auxilia nas tarefas exegéticas, imagina você realizar um estudo bíblico e poder expor seu conhecimento dos textos apresentados direto dos originais.

Os alunos perguntam: Quando vou usar o Hebraico que aprendi?
O professor responde: Bem, depende, imagina um investimento à longo prazo, assim são nossos aprendizados, principalmente dos idiomas originais, é o mesmo que uma reserva, quando você necessitar ela estará lá pronta para ser usada.

Os alunos perguntam: Quanto tempo leva para aprender o Hebraico?
O professor responde: Depende do que você considera aprender, pense no neurocirurgião, quando você fala desse profissional pensa logo na vasta experiência que ele carrega ao longo dos anos realizando processos cirúrgicos do sitema nervoso e periférico, cirurgias de alta complexidade, agora pense, como tudo começou, o primeiro dia de aula, os contratempos, a correria, o cansaço, as noites mal dormidas envolto em livros e pesquisas, a formatura, o pós graduando, a especialização e a fase da residência em que os professores mestres exigem total dedicação de tempo e disponibilidade para plantões que muitas vezes duram vinte e quatro horas, é claro que haverão momentos de intensa satisfação ao ver o fruto de sua dedicação, então, desconsidere o fator tempo e foque em aprender e apenas isso, quando você menos imaginar estará apto.

Os alunos perguntam: Posso ser autodidata?
O professor responde: Sim! Faço apenas uma ressalva, sendo autodidata, o comprometimento com o curso deve ser total, a frequência deve ser um fator levado a sério, caso contrário, qualquer forma de contratempo será um obstáculo que, facilmente desviará sua atenção. Uma aula de 40 minutos deve ser feita sem interrupções, o local adequado, silencioso, as distrações devem ser evitadas, dê preferência ao horário matinal quando a mente ainda está em processo de menos exigência sobre as tarefas diárias, um fator que me ajudou muito e pode ser uma fonte de aprendizado inclusive da pronúncia foi a música, e vídeos.


Links:

https://www.youtube.com/@AlephwithBeth

Curso completo de Hebraico Bíblico:

https://file-inpeace-prod.inpeaceapp.com/2023/11/15/65541104d53b8.pdf

https://www.bibliahebraica.com.br/_files/ugd/46c484_f625b913bc8b4bda95e1675322bc8a8e.pdf




 

Grego 1 - Curso Completo Koiné.




Grego 1 - Curso completo de Grego Koiné.

Os alunos perguntam: Por que devo aprender Grego?
O professor responde: Ora, o Grego nos auxilia nas tarefas exegéticas, imagina você realizar um estudo bíblico e poder expor seu conhecimento dos textos apresentados direto dos originais.

Os alunos perguntam: Quando vou usar o Grego que aprendi?
O professor responde: Bem, depende, imagina um investimento à longo prazo, assim são nossos aprendizados, principalmente dos idiomas originais, é o mesmo que uma reserva, quando você necessitar ela estará lá pronta para ser usada.

Os alunos perguntam: Quanto tempo leva para aprender o Grego?
O professor responde: Depende do que você considera aprender, pense no neurocirurgião, quando você fala desse profissional pensa logo na vasta experiência que ele carrega ao longo dos anos realizando processos cirúrgicos do sitema nervoso e periférico, cirurgias de alta complexidade, agora pense, como tudo começou, o primeiro dia de aula, os contratempos, a correria, o cansaço, as noites mal dormidas envolto em livros e pesquisas, a formatura, o pós graduando, a especialização e a fase da residência em que os professores mestres exigem total dedicação de tempo e disponibilidade para plantões que muitas vezes duram vinte e quatro horas, é claro que haverão momentos de intensa satisfação ao ver o fruto de sua dedicação, então, desconsidere o fator tempo e foque em aprender e apenas isso, quando você menos imaginar estará apto.

Os alunos perguntam: Posso ser autodidata?
O professor responde: Sim! Faço apenas uma ressalva, sendo autodidata, o comprometimento com o curso deve ser total, a frequência deve ser um fator levado a sério, caso contrário, qualquer forma de contratempo será um obstáculo que, facilmente desviará sua atenção. Uma aula de 40 minutos deve ser feita sem interrupções, o local adequado, silencioso, as distrações devem ser evitadas, dê preferência ao horário matinal quando a mente ainda está em processo de menos exigência sobre as tarefas diárias, um fator que me ajudou muito e pode ser uma fonte de aprendizado inclusive da pronúncia foi a música, e vídeos.

Links: 

Canal que assisto para fazer diferenciação entre Grego Koiné e Grego Moderno:

https://www.youtube.com/@VassoMekra

Curso Completo de Grego Koiné:

https://est.edu.br/wp-content/uploads/2024/01/LS_EAD_GREGO_I.pdf

https://www.bibliahebraica.com.br/_files/ugd/46c484_d13a91e2592e4dce9b0b75593ad8a5c2.pdf


Seja dedicado, lembre-se, "de grão em grão a galinha enche o papo" 
Quero dizer: Vá devagar, nada de atropelar a matéria, tenha paciência e o ponto principal, ore a Deus pedindo entendimento, você estará estudando a língua original do Novo Testamento.


Bons Estudos!

https://adequacursos.com.br/cursos/modulo/introducao-ao-novo-testamento/13760





quarta-feira, 22 de outubro de 2025

A História do Hebraico - Rosen School Of Hebrew.

 

Como o hebraico nos uniu novamente?

Alexandre, o Grande, faz uma visita.

De acordo com todos os relatos, Alexandre era bonito, arrojado e talentoso. E ele tinha algo muito característico. O fato de destruir tudo ou qualquer um que se metesse no seu caminho. Quando ele marchou pela Judeia, trouxe junto o helenismo, incluindo a língua grega. E os israelitas fizeram questão de não o enfrentar.

O conquistador macedônio havia derrotado a Pérsia, o que significava que os despojos incluíam todos os territórios anteriormente pertencentes aos persas. Isto incluía as terras dos hebreus. Conseguiu perceber uma tendência aqui?

O helenismo é a cultura dos gregos antigos. Incluía suas filosofias, modas e disposições artísticas. E agora se espalhava pelo mundo conhecido, graças aos macedônios. Muitos judeus se tornaram helenizados, e muita coisa boa veio disso. O Talmude, sagrado hoje entre os judeus, foi fortemente influenciado pela escola ocidental de Filosofia e pensamento filosófico. Até hoje, recomenda-se o estudo do Talmude ocasionalmente para estudantes de direito. Por quê? Porque a sua estrutura argumentativa é considerada uma das melhores do mundo.

Mas nós estamos divagando.

O helenismo resultou com uma nova tendência, a de judeus indo para a diáspora, explorando novas terras que os conectavam com o mundo. Ao fazer isso, eles assimilaram novas línguas, como o grego antigo. E ela também acabou se tornando de uso comum nos territórios israelitas. Em oposição a isso iria se formar, mais tarde, o judaísmo rabínico, que levou o hebraico consigo e transformou a religião judaica em algo portátil.

Roma entra no palco mundial.

Há uma distinção interessante entre as línguas em desuso. Algumas delas são as línguas extintas, outras são as línguas mortas. Uma língua extinta não tem falantes em nenhum lugar do mundo hoje. Nenhum falante nativo. Nenhum falante religioso. Nenhum falante estudioso. Em oposição, uma língua morta não tem falantes nativos, mas ainda é usada. Para fins litúrgicos, por exemplo. Ou para estudos, como o latim. Latim, a língua de Roma, é uma língua morta. Mas com certeza é arremessada como pedras de uma funda por tribunais mundo afora, em muitos países ao redor do planeta.

Mas, voltando ao assunto, Roma dominou os macedônios (a tendência continua…). No começo, as coisas eram pacíficas entre os romanos e os judeus. Até que algumas rebeliões deterioraram a relação. O resultado? Roma atacou duramente a Judeia em 70 d.C., quando os judeus se rebelaram contra o domínio romano. Mesmo os judeus sendo combatentes apaixonados e dedicados, no fim das contas ninguém poderia resistir ao poder de Roma.

Os últimos a serem derrotados foram os zelotes, defendendo sua fortaleza de Massada, recusando-se a se render aos romanos que os cercavam. A história deles é de um heroísmo trágico. Outra parte desta tragédia foi a perda do Segundo Templo. Foi destruído pelos romanos, que usaram explosivos relativamente sofisticados para a época. Eles os colocaram em buracos nas paredes do Templo e os detonaram, causando o tipo de destruição que se vê quando uma mão fechada segura fogos de artifício. O resultado disso foi mais judeus indo para a diáspora.

Mas o pior ainda estava por vir.

Quando o hebraico se tornou uma língua morta?

Houve uma última rebelião. E foi épica. Épica mesmo, o tipo de rebelião que se vê em filmes de Hollywood. Aconteceu na província romana da Judeia. Incluindo aliás as regiões de Samaria, Idumea e Judeia. Nem todos os judeus dos ex-reinos de Israel estavam ali. Alguns estavam na Galiléia e outras regiões próximas, por exemplo. Mas muitos estavam. E eles já tinham sofrido o suficiente.

Conhecida como a Revolta Bar Kokhba, por volta de 115 e 117 d.C., começou sobre questões não discutidas entre os administradores romanos e o povo judeu. Como colocar estátuas romanas em locais sagrados judaicos, por exemplo, e também tensões políticas.

E os judeus estavam se saindo bem quando a guerra começou. Eles cercaram e destruíram uma guarnição romana. Enfrentaram e venceram as legiões de reforço vindas de áreas vizinhas como a Arábia. Eles até conseguiram estabelecer estados independentes por um tempo. Com moedas próprias cunhadas, inclusive. Tal era a sua ferocidade pela liberdade.

Ainda mais feroz foi a parte significativamente grande do exército romano enviada para acabar com a rebelião. Adriano, imperador de Roma, já estava farto e enviou seis legiões com apoio. Numa das guerras mais devastadoras da época, os romanos acabaram por dizimar a área. Embora não sem perdas severas. Duas legiões tiveram que ser desmontadas devido às baixas sofridas.

Como resultado, e pela total supressão exercida por Adriano, que ficou furioso com o alto número de baixas nas suas legiões, os judeus foram impedidos de entrar em Jerusalém. Eles também sofreram outras penalizações. O judaísmo rabínico começou a ser reprimido. Isso incluía judeus de regiões que não estavam diretamente envolvidas na rebelião e até mesmo cristãos judeus (já que as duas religiões não eram totalmente distintas naquele momento) que nem sequer tinham feito parte da rebelião.

Entre aqueles na província que se rebelaram e lutaram, muitos foram mortos ou levados como escravos. Muitos judeus, devastados, foram para a diáspora.

Quanto ao hebraico, muitos judeus já estavam usando o aramaico e grego com maior frequência do que a sua língua habitual, já que essas duas línguas eram consideradas línguas internacionais e cosmopolitas na época. E, claro, o latim dominou tudo. Provavelmente por causa da rebelião fracassada, o hebraico viu um novo declínio, que veio junto com o arrefecimento do nacionalismo. Então, em cerca de 400 dC, ele deixou de existir completamente como uma língua nativa.

Onde quer que os judeus fossem, as línguas de seus novos lares tornavam-se suas línguas maternas. Mas o hebraico conseguiu sobreviver de algumas formas: tanto como língua de troca entre judeus quanto como língua sagrada ao ler as escrituras e a Torá.

Na diáspora.

Muitos judeus foram para os países do Oriente Médio, encontrando lá um lar e esperança. Mesmo quando o Islã surgiu, no século VII, os judeus eram vistos como “o Povo do Livro” e eram bem tratados.

Diferente da Europa, onde eles foram repetidamente acolhidos em um país para ajudar a melhorar a economia, e então eram forçados a fugir, sob a ameaça de armas. Isto era feito para substituir os postos de poder ocupados pelos judeus, dando-os a etnias associadas aos respectivos países. Esse padrão se repetiu muitas vezes. Não ajudava o fato de que as comunidades judaicas ficassem fechadas em si mesmas, e que assim fossem vistas como “O Outro” pela população local. Dispostos a aprender a língua, mas não dispostos a se integrar totalmente à cultura do país, os judeus preferiam se relacionar apenas uns com os outros. O resultado disso era que, quanto desastres aconteciam, os judeus eram sempre os bodes expiatórios, e eram aterrorizados.

Mesmo com os judeus se espalhando por muitos países, em seus corações eles ainda eram uma só nação. Mesmo divididos geograficamente, a milhares de quilômetros de distância, os judeus sempre tinham um lar espiritual que os seguia aonde quer que fossem. Seja na escuridão e na umidade dos guetos do leste europeu, ou nas brilhantes e ensolaradas terras no Iraque, os judeus estavam conectados por sua Torá. A Torá carregava consigo não apenas a Palavra de Deus. Para os judeus, ela levava uma língua antiga. O hebraico.

A língua de casa.

Uma língua morta revive.

Embora os judeus falassem árabe, inglês, francês, alemão e iídiche em suas rotinas diárias, todos se reuniam para orar em hebraico onde quer que estivessem no mundo. Uma língua não pode ser esquecida quando é mantida no coração.

A tradição judaica de transcrever ou criar uma Torá foi um processo delicado. Você já deve saber que um único erro na escrita de uma única letra fazia com que a Torá em produção fosse abandonada. Essa Torá sem uso ainda era considerada sagrada o suficiente para que não pudesse ser simplesmente descartada. Em vez disso, era feito um enterro, e ela era devolvida à terra como se fosse uma pessoa que tinha falecido.

Apenas uma Torá sem um único erro poderia ser considerada Santa. Isso era importante porque significava que a mudança natural que as línguas sofrem ao longo do tempo, devido a erros de transcrição, não tinha como acontecer. Não importa qual comunidade judaica você visitou no mundo, a Torá é exatamente a mesma, palavra por palavra, graças a esta tradição. Devido à diligência e reverência com que foi tratado, o hebraico nunca mudou, nem jamais foi perdido. Mesmo com os judeus espalhados pela diáspora.

O Mar Morto, chamado assim devido ao seu alto teor de sal, torna impossível a existência de vida nele. Mas um retorno a esta região pelos judeus também significava que o hebraico não era mais uma língua morta!

O retorno triunfante do hebraico.

No século XIX, em resposta à intensidade do anti-semitismo em vários países europeus, um congresso mundial de judeus decidiu retomar uma causa nacional. Desde a Revolta Bar Kokvar contra Roma não havia esse desejo tão intenso por nacionalidade, autodeterminação e identidade nacional. Como o hebraico estava associado aos antigos reinos de Israel, isso naturalmente levou-o a se tornar a língua nativa dos judeus. E os seus falantes continuaram a aumentar em número, à medida que a migração para o que é hoje o Israel moderno começou.

Corta para o século XX. As comunidades judaicas, separadas por dezoito séculos, foram reunidas na terra de Israel. Todos carregando a mesma Santa Torá. E, naturalmente, a língua em que todos eles podiam se relacionar era o hebraico. O hebraico, desde então, evoluiu para uma língua moderna, tornando-se a língua oficial de Israel.

O hebraico une todos os diferentes judeus que vieram como refugiados e imigrantes a uma terra que era considerada perdida por quase dois mil anos. O imperador romano Adriano tinha a intenção de destruir completamente os judeus em sua repressão e dizimação da Revolta Bar Kokhba. Ele queria eliminar a Judeia do mapa. Literalmente. Mudou o nome da região para Síria Palaestina.

Ele esperava que os judeus se dispersassem por outras culturas, tornando-se absorvidos por elas e perdendo sua identidade. Para o hebraico não se tornar apenas uma língua morta, mas sim uma língua extinta. No entanto, ele falhou. O mundo gira, e o hebraico e seus falantes sobrevivem ainda hoje, muito tempo depois do fim do império romano e dos romanos que buscavam sua destruição. Como uma nação, os israelenses riem, dançam, sorriem, cantam, compartilham histórias e piadas em hebraico.

Mas ainda há uma diáspora. Os judeus permanecem em muitos dos seus países adotivos até hoje. Embora alguns pretendam retornar ao seu lar espiritual em algum momento, muitos simplesmente querem fazer parte da magia que é o hebraico israelense. A capacidade de falar fluentemente ao visitar Israel é emocionante para aqueles cujos corações estão com o país. Falar com um morador local e receber uma recepção calorosa é especial.

Curiosamente, o hebraico é um dos únicos exemplos de uma língua morta sendo trazida de volta à vida. E continua a ser o tecido conjuntivo entre todas as comunidades judaicas no mundo, mas que têm seu coração em Israel.

Se você quiser se conectar a esta língua expressiva, apaixonante e poética, que tal estudá-la no Rosen Instituto de Hebraico? Somos parceiros da Universidade Hebraica de Jerusalém, e também os provedores oficiais de educação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel e o Ministério da Educação de Israel. O que nos torna uma valiosa ferramenta que contribui para a propagação do hebraico em todo o mundo.

Então, fale com a gente! E aprenda a falar uma língua que os seus descendentes falaram há mais de dois mil anos. Afinal, quantas pessoas podem dizer que são capazes de fazer isso?

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Psicopatia e Sociopatia, Desafios da Igreja Cristã.

 

Psicopatia x Sociopatia: O Novo Nascimento.




Por: Reinaldo Carlos.

 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. (ARC). 2Co 5:17.

Estar em Cristo é ser uma nova criação. Partindo dessa definição dada pelos discípulos do Senhor Jesus, devemos considerar que uma nova mentalidade também nasceu nessa nova criatura, portanto, não deveríamos ter problemas com os chamados convertidos, aqueles que se tornaram novas criaturas em Cristo, pelo texto apresentado, já não vivem mais as agruras do velho homem, afinal, "As coisas velhas já passaram", sendo assim, todos os elementos da velha natureza foram sepultados pelo Batismo, tanto em Jesus, como nas águas, o Batismo em Jesus imerge a nova criatura em Cristo, ação direta de justificação sem a necessidade de qualquer ritual ou coisa que se assemelha, já o Batismo nas águas, uma das ordenanças da Igreja, a outra é a Ceia do Senhor,  permite a essa nova criatura, expressar a sua fé diante dos homens e o insere na Igreja visível do Senhor Jesus Cristo, que é o Seu Corpo.

Enquanto escrevo esse artigo, hoje é 24/12/2024 véspera de Natal, um dos assuntos mais comentados dos últimos dias nas redes sociais dava conta do envolvimento de um pastor que havia sido preso por compartilhar fotos e vídeos de crianças e adolescentes em posições sexuais num site de sua própria criação, a polícia encontrou um vasto material em sua residência, ainda se investiga se, alguns membros de "sua" igreja estão envolvidos, parece haver uma rede de compartilhamentos.

Creio, ser a nova criatura revestida de autoridade, quando digo revestida, trago a mente o primeiro casal diante de Deus sendo confrontado por conta de sua queda e consequentemente perdendo o padrão de excelência que gosto de chamar de autoridade, essa é uma boa palavra para descrever o que eles eram antes de serem enganados pela Serpente no Éden, Jardim de Deus e cederem essa autoridade para Satanás, o ser criado não perdeu a sua vestidura original, o que mudou foi a forma como ele mesmo se enxergava, a vergonha é a demonstração do nosso ser fragilizado, a exposição nos torna conhecedores de nós mesmos em circunstâncias em que Deus nos coloca diante Dele e nos mostra o padrão perdido, o que Adão e Eva enxergavam agora era uma sombra deles mesmos, envolvidos numa fuga interior, homem e mulher agora se escondem, primeiro um do outro, depois de Deus, Davi teve essa experiência ao ser confrontado por Natã (2Samuel 12), quando escreve o Salmos 51, revela a loucura primária do ser criado que é mentir para você mesmo e a loucura das loucuras que é tentar mentir para Deus. 

Há três anos, um pastor atentou contra sua própria vida. O desespero e a vergonha da exposição culminaram em sua morte prematura. Em uma de suas "aventuras" com uma das suas ovelhas, numa conversa pessoal e aparentemente descompromissada por uma rede social, os dois trocavam fotos de suas intimidades, como ele estava seguro de que seu pecado ficaria restrito aquele ambiente, se sentiu seguro em mandar mais fotos cada vez mais provocativas e assim causar um impacto na jovem que também se sentia em um ambiente seguro e assim caprichar nas fotos trocadas, o que ele, totalmente embriagado pela sensação de domínio da situação e da vítima completamente subserviente aos seu acessos, não contava é que um homem controlado pelos hormônios em algum momento será traído por essa espiral de sensações, as mãos trêmulas, o corpo suado, os olhos fixos quase não piscam diante do objeto de desejo, nesse afã, em uma de seus envios, a confusão mental se sobrepôs, os comandos já não atuavam mais em sincronia com a mente, algumas fotos então foram parar no grupo de sua igreja, o homem estava cego e possesso, uma centrífuga hormonal batia forte em sua mente ao ponto de deixá-lo totalmente fora de si ou qualquer realidade, o final dessa investida foi uma corda em volta do pescoço, é sempre assim que termina!
Uma série exibida pela Netflix em 2022 intitulada "O Golpista do Tinder." (Netflix Official), 
traz a realidade de um psicopata israelense que é extremamente habilidoso na arte do engano, dezenas de mulheres uma após outra em várias partes do mundo seduzidas pelo golpista que as manipula ao ponto de várias delas relatarem a perda de mais de 250 mil dólares, joias, carros, poupança, casas, entre outros bens, são arrastados pelas correntezas da cegueira, quando as vítimas se dão conta do engano, já é tarde demais e o golpista, assim como surgiu, desaparece nas sombras até seu próximo ataque.

Estudos revelam que há uma diferença quase que imperceptível entre psicopatia e sociopatia, já que, as duas abordam temas ligados a comportamentos antissociais.
Fatores biológicos estão associados à psicopatia, enquanto a sociopatia trata desses fatores no campo ambiental porém, os dois são tratados como transtorno de personalidade.

Empatia: É a capacidade psicológica de sentir o que sentiria outra pessoa, caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. É tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar o que sente outro indivíduo.[1]
Essa é a principal característica de um psicopata, a falta total do sentimento de  empatia, essa falha o torna manipulador das situações, não interessa como o outro esteja se sentindo, para um psicopata essa situação não o afeta, o que importa é realizar seu objetivo final, ou seja, aquilo que a sua mente organizou, precisa ser completado, dessa forma, a pouca ou nenhuma importância com o sentimento alheio.
Remorso: Arrependimento; sentimento de culpa, sensação de mal-estar, de angústia que resulta de uma falha ou erro cometido contra alguém.[2]
Já que os vínculos emocionais não importam, a integração social também não, o sociopata é incapaz de uma autoavaliação imediata, acredito até em médio prazo, creio assim pelo fato de que um sociopata age por impulso, ou seja, de uma maneira irrefletida, por esse tipo de comportamento, as relações ficam prejudicadas.

Questões comportamentais:
  • Psicopatia: Psicopatas tendem a ser mais controlados e planejadores, muitas vezes mantendo uma fachada de normalidade e integração social. Eles são mais calculistas e racionais em suas ações, evitando riscos e buscando manipular as situações a seu favor sem chamar atenção.
  • Sociopatia: Sociopatas, por sua vez, são mais impulsivos, desorganizados e agressivos. Eles têm mais dificuldade em formar relações sociais e são propensos a reações violentas e explosivas, o que pode levar a um comportamento errático e imprevisível.[3]
E quando todos esses comportamentos vão parar dentro de um ambiente em que as relações interpessoais são complexas e necessitam estar fundamentada na Palavra de Deus?
Quais são os desafios enfrentados pela igreja principalmente deste século nessas questões?

O ambiente igreja como nós conhecemos e aprendemos chamar tem sua inauguração visível em Atos dos Apóstolos capitulo dois, uma grande massa de novos convertidos agora precisam encontrar sua centralização, houve um esforço tremendo dos apóstolos que lutaram contra a infiltração de grupos religiosos nessas novas comunidades, o modelo de Templo foi adotado, os discípulos de Jesus cuidam do ministério da Palavra, enquanto um grupo de homens separados pela comunidade fazem o serviço social, esse modelo perdura até os dias de hoje, o relato está em Atos dos Apóstolos capítulo seis.

Quando lemos as cartas de Paulo e as cartas pessoais encontramos a base para a condução doutrinária das comunidades em todos os períodos da história. Nos deparamos com inúmeros casos de pessoas que causaram enormes problemas para essas comunidades, muitas ideias propagadas, falsas doutrinas, problemas de comportamento, retorno às velhas práticas entre outros. Como podemos notar, não é de hoje que as comunidades cristãs enfrentam problemas com pessoas que, de alguma forma carregam deformações de caráter e que não se renderam de fato às mudanças propostas pelo Espírito da verdade.
Exortações à santidade: Efésios capitulo quatro.
25 Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. 26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,27 nem deis lugar ao diabo. 28 Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. 29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. 30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. 31 Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. 32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

Essas são instruções de ouro, à nova criatura é apresentado um modelo eterno em relação a caminhada cristã, muitos que entraram pela porta, infelizmente se mantiveram parados, estáticos, não iniciaram a caminhada, não observaram o alvo proposto (Fp. 3,14), quando a carta de Thiago é exposta ela traz uma clareza em relação ao caminhar do crente, bem como, o seu portar e agir dentro dessas comunidades. O grande desafio portanto é, estabelecer um ponto de contato entre os novos convertidos do presente século e a inerrância da Palavra de Deus em todas as eras. Apresentar as verdades de Cristo e trazer para a mesa de discussão que, essas verdades são inquestionáveis, não importam as mudanças sociais, mudanças de visão do mundo, das sociedades locais. 
O pecado precisa ser confrontado, caso contrário, o pecador não se tornará jamais um arrependido, mas sim, um poço de remorso até a próxima investida pecaminosa gerada em sua mente não transformada.

Céu, o inferno, cruz, e arrependimento, esses assuntos precisam voltar urgentemente aos púlpitos públicos, há uma geração interminável de crentes conformados com a situação e o estado pecaminoso em que vivem, pregadores profundamente atolados na lama do pecado, há um entorno sombrio, uma camada espessa de trevas e vaidade, uma falta de coragem misturada com sensações de arrependimento e bem estar com Deus até a próxima e irresistível tentação, gatilhos emocionais, quer por acidente, quer por busca, orações mal completadas em que o juízo já se estabeleceu, a vida degenerada arrebatou a ousadia para entrar no Santo dos Santos (Hebreus 10: 19,20), a técnica vocal foi substituída pela presença do Espírito, este está sozinho no púlpito público se alimentando das palmas e não das lágrimas dos arrependidos, um fogo de juízo o consome, desse, já se foi o Espírito.
Salmos 19:12.  Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas.   

   

 


[1] https://www.significados.com.br/empatia/
[2] https://www.dicio.com.br/remorso/
[3] https://draanabeatriz.com.br/psicopatia-vs-sociopatia-entenda-as-diferencas-cruciais/











terça-feira, 8 de outubro de 2024

PROFETAS E SÁBIOS – HILLEL E SHAMMAI.

 


Shamai, o Ancião (50 a.C. - 30 d.C.) Hilel, o Ancião ou o Babilônico (60 a.C.- 9 d.C.)


  1. Introdução – Quem foram Hillel e Shammai? Hillel e Shammai foram dois de nossos maiores Sábios, cujas discussões sobre a Lei Judaica resultaram na criação de duas escolas de pensamento: a escola de Hillel – que era, geralmente, mais leniente – e a escola de Shammai – que era mais rígida quanto às Leis da Torá. Ensina o Talmud que os ensinamentos de ambas as escolas refletem a Vontade Divina, mas que nós devemos seguir as diretrizes da escola de Hillel. Porém, na era messiânica, ensinam os nossos Sábios, a Torá será seguida conforme os ensinamentos da escola de Shammai. [1]
  2. O sábio Hillel – Hillel era reverenciado como verdadeiro líder espiritual e religioso. O rei Herodes não teve outra escolha senão aceitar a autoridade religiosa do Sanhedrin, reconhecer o prestígio de Hillel e respeitar o controle que este exercia sobre a vida religiosa. O sábio que era puro amor, humanismo e bondade, infinita paciência e profunda humildade.

Na Terra de Israel, no último meio século que antecedeu a Era Comum, houve uma grande disseminação da Lei Oral, que tornou os eruditos da Mishná os verdadeiros líderes do povo, embora a autoridade política e o alto sacerdócio se encontrassem em outras mãos.

Estes sábios são os Tanaim. Taná, em aramaico, significa aquele que estuda, repetindo e transmitindo os ensinamentos de seus mestres. O período dos Tanaim foi de criatividade, inovação e grande florescimento da cultura judaica, ao mesmo tempo em que foi de profunda turbulência e crise, culminando com a destruição do Templo no ano 70 da Era Comum, o que tornou necessária a reestruturação de toda a vida religiosa.

A primeira geração de Tanaim, que exerceu suas atividades no início do reinado de Herodes, é representada por Hillel e Shamai, fundadores de duas escolas que levaram seus nomes (Bet Hillel e Bet Shammai). Apesar de todas as controvérsias que se acenderam entre estas, ambas inscreviam-se na estrutura tradicionalmente aceita no judaísmo. As disputas haláchicas entre elas prosseguiram por muitas gerações até que finalmente prevaleceram os pontos de vista da Casa de Hillel. O Talmud Babilônico nos traz, numa única frase, a conclusão: “Ambas são as palavras do D’us vivo, e a decisão está de acordo com a casa de Hillel.”

As duas escolas refletem a personalidade de seus fundadores. Hillel era uma pessoa amável, simples, próxima às camadas mais modestas, e suas máximas breves refletem sua generosidade, piedade e amor à humanidade. Shamai era extremamente íntegro, mas rígido e irascível. No Talmud se diz: “Que o homem seja sempre humilde e paciente como Hillel e não exaltado como Shammai.”

Hillel foi o menos sentencioso e o mais tolerante dos sábios rabínicos. Falava a língua do povo, ao qual ensinava ética. Suas palavras refletem seu humanismo e bondade: “Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Aí está toda a Torá. O resto é mero comentário.” Ou…”Sejam como os discípulos de Aarão, amando e buscando a paz, amando a humanidade e aproximando-a da Torá”. E, talvez, sua máxima mais famosa seja: “Se não eu por mim, quem por mim? Se eu for só por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?”

Hillel nasceu numa próspera família da Babilônia e com cerca de trinta anos foi estudar com os sábios Shemaia e Abtalion em Jerusalém. Lá, ele vivia em condições de grande penúria, trabalhando como simples lenhador. O amor ao estudo fazia com que adiasse seu retorno à cidade natal, onde seus correligionários viviam em paz, longe das turbulências que agitavam a Terra de Israel.

Conta-se sobre Rabi Hillel que, quando estudava em Jerusalém, era tão pobre que só ganhava uma moeda de cobre por dia de trabalho. Metade desse dinheiro ele dava ao bedel, para poder freqüentar a Casa de Estudo, e a outra metade usava para o seu sustento e o de sua família. Certo dia, não ganhou nada. Nesse dia, nem ele nem sua família comeram; mas, ansioso para ouvir as palavras de Shemaia e Abtalion, e como o bedel não o deixou entrar sem pagar, Hillel subiu no telhado e, deitado sobre a clarabóia, se esforçou para ouvir as discussões.

Concentrado como estava, não lembrou que era sexta-feira, em pleno inverno, nem que nevava. Passou, assim, a noite deitado sobre o telhado. No dia seguinte, a academia pareceu bem mais escura do que de costume: a clarabóia estava coberta de neve, mas olhando bem dava para perceber o contorno de um homem debaixo da neve. Logo reconheceram Hillel, a quem lavaram, massagearam com óleo, deixando-o esquentar-se perto do fogo. Ninguém hesitou em transgredir o Shabat para salvá-lo.

Após a morte de Shemaia e Abtalion, provavelmente Hillel voltou para a Babilônia, mas visitava frequentemente Jerusalém em peregrinação antes das Grandes Festas ou a cada vez que precisava esclarecer alguma dúvida sobre as leis.

Hillel foi o primeiro dos autores da Mishná a afirmar que o judaísmo tinha como objetivo implementar o cumprimento dos deveres de cada indivíduo em relação a seu próximo e que todos os mandamentos são meios para alcançar esta finalidade. Também foi o primeiro a estabelecer o princípio do amor fraterno como condição principal para todos os mandamentos da Torá.

Conta a Hagadá que um gentio procurou Hillel, pedindo que lhe ensinasse toda a Torá enquanto ele se equilibrava sobre uma perna só. Este, em vez de expulsá-lo por sua insolência, como fizera Shammai, disse-lhe calmamente: “Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Eis toda a Torá. Todo o resto é comentário. Vai e estuda!”

Hillel era tão bondoso com os outros que tolerava todos os caprichos, sem ficar com raiva. Certa vez, ofereceu a um homem pobre um cavalo e um escravo que corresse na sua frente, como era costume. Como não conseguiu o escravo, ele mesmo ficou correndo na frente do homem, por um percurso de três milhas. A paciência de Hillel era tão inabalável, que há várias histórias sobre tentativas frustradas de o fazer enfurecer-se.

Uma vez um homem apostou 400 moedas de prata que faria Hillel perder a paciência. Foi procurar o mestre na sexta-feira, quando este tomava banho, preparando-se para o Shabat: “Quem é Hillel e onde ele está?” Hillel se enrolou em uma toalha e foi ver quem o chamava. “Eu tenho uma pergunta, disse: “Por que os babilônios têm a cabeça redonda?” “Boa pergunta”, respondeu Hillel. “É porque suas parteiras não são suficientemente competentes”. Pouco depois o mesmo homem voltou e, novamente, chamou Hillel com arrogância, perguntando por que o povo de Tadmor tem a vista fraca. “É porque Tadmor é situada em uma região desértica e a areia entra nos olhos de seus habitantes”.

Pouco depois, o homem voltou a chamar Hillel para fazer-lhe mais uma pergunta: “Por que os africanos têm os pés tão largos?” “Porque eles andam descalços em terreno pantanoso.” Aí o homem disse: “Eu tenho mais uma pergunta, mas estou com medo de que você fique bravo”. “Faça quantas perguntas quiser e eu responderei da melhor forma que meus conhecimentos permitirem”. “Você é Hillel, o Nassi dos judeus?” “Sou”. “Então espero que os judeus não tenham ninguém mais como você! Por sua causa perdi uma grande soma de dinheiro, apostando que conseguiria enfurecê-lo.” E Hillel respondeu: “Mesmo que você perca o dobro deste valor, não conseguirá fazer-me perder a paciência!” [2]

III. Beit Hillel e Beit Shammai

Hillel é conhecido por ser um sábio que preservava o amor, o humanismo, a bondade, a paciência e a humildade. Ele foi o primeiro dos rabinos fariseus, nasceu na Babilónia durante o século I a.e.c., mudou-se para a Judeia com 14 anos; passou alguns anos em Jerusalém e depois  mudou-se  para a Galileia.

Os seus ensinamentos encontram-se relatados no Pirkei Avot (a ética dos pais), escrito na Babilónia e depois acrescidos de outros ensinamentos, sendo adicionados ao Talmud. Nessa época, houve uma grande disseminação do Talmud, que tornou os eruditos da Mishná os verdadeiros líderes religiosos do povo, os chamados Tanaim (de Taná, em aramaico, significa aquele que estuda, repetindo e transmitindo os ensinamentos de seus mestres).

O Sábio Hillel – A primeira geração dos Tanaim, que exerceu suas atividades no início do reinado de Herodes, é representada por Hillel e Shammai, fundadores de duas escolas que levaram seus nomes (Beit Hillel e Bet Shammai). As duas escolas refletiam a personalidade do seus fundadores. Hillel era uma pessoa amável, simples, próxima às camadas mais modestas, e suas máximas breves refletem na sua generosidade, piedade e amor à humanidade. Shammai era extremamente íntegro, mas rígido e irascível.

Hillel foi responsável pelo estabelecimento da Halachá, o conjunto de regras baseadas na interpretação da Tora, ou seja, como um judeu deveria viver de acordo com a Tora. Ele foi o líder de uma revolução espiritual no judaísmo. Ele acreditava na presença contínua de D’us no Universo e que a única maneira dos homens servirem a D’us era por meio de seus atos, sendo diretamente responsáveis por eles perante D’us. Falava também de união mística entre D’us e o homem. Apesar de todas as controvérsias que se acenderam entre estas, ambas se inscreviam na estrutura tradicionalmente aceite no judaísmo. As disputas pela Halachá entre elas prosseguiram por muitas gerações até que finalmente prevaleceram os pontos de vista de Hillel.

Os seus ensinamentos eram muitas vezes opostos aos ensinamentos de Shammai. Dizem que o Talmud regista 300 discordâncias entre eles, mas esse número inclui as discordâncias entre os seus discípulos, uma vez que ambos criaram escolas rabínicas. Como já citado, Hillel era um homem de paz, humilde e respondia a todas as perguntas que lhe eram feitas, mesmo as constrangedoras. Ao contrário de Shammai, Hillel tinha alunos não-judeus. Ele estimulava, nos homens, a auto-estima com o seu pensamento mais famoso: “Se eu não for por mim mesmo, quem será por mim?

E, se somente por mim, o que sou eu? E, se não for agora, quando?”. E com outro: “Aquele que tenta engrandecer seu nome o destrói; aquele que não aumenta seu conhecimento o diminui e aquele que não estuda merece morrer”. Hillel teve na sua academia 80 discípulos, muitos dos quais importantes. O conselho dos membros da corte de Herodes não foi seguido. Ele faleceu no ano 10, 14 anos depois da morte de Herodes, o Grande.

Shammai, assim como Hillel, era um judeu nascido no século 1 a.e.c., um líder religioso importante e grande na literatura rabínica, na Mishnah (primeira discussão feita a partir da Torá que vai para o Talmud). Ele era o “adversário” de Hillel, sendo sempre mencionado junto a ele. Diferentemente de Hillel, Shammai era um homem rígido, justo e sem paciência. Uma das histórias que se conta é que um dia, um homem veio em busca de Shammai e pediu para ser convertido: “Converto-me na condição de  você me ensinar toda a Torá, enquanto eu estou apoiado em um só pé”, Shammai empurrou-o para fora com a régua em sua mão, então veio Hillel e lhe disse: “ Não o faças aos outros o que não desejas para ti. Esta é a Torá, o resto é comentário. Vai e aprende.”.

Numa época de grande agitação política e social, Shammai foi uma grande influência, recusando-se a ser intimidado pela potência estrangeira.

Ele cresceu à sombra da opressão de Herodes, e acreditava sempre que era necessário ter uma postura firme para lidar com os adversários da tradição judaica. Conta-se que, quando Herodes apareceu na sala do Sinédrio, rodeado pela guarda real, totalmente armados, o silêncio reinava. Podia-se sentir o sentimento de intimidação naquela sala, quando, apenas Shammai, sem medo, levantou-se para falar contra ele. Passou então a fazer decretos para separar e proteger a comunidade judaica da interferência de Herodes e dos romanos.

Ele alertou o perigo de Herodes aos seus colegas, avisando-os de que ele iria dominá-los sem piedade. Na verdade, Shammai foi um dos poucos a sobreviver. No entanto, apesar de toda a sua tenacidade em assuntos jurídicos e políticos, temos uma perspectiva bastante diferente de Shammai quando nos voltamos para a Halachá. Lá, Shammai diz: “Cumprimente cada homem com um semblante alegre e um sorriso”.

Os preceitos morais da Halachá estão associados aos sábios que não só ensinavam, mas viviam daquela maneira. Aqui, Shammai era um homem com um sorriso radiante e pronto, que seus colegas e discípulos conheciam tão bem. Então, como compreender Shammai? Porque ele mesmo não seguia seus ensinamentos? A resposta encontrada é que Shammai não é o homem dos “pedidos”. Ele acreditava, assim como na história da conversão do homem apoiado em um pé só, que, para aprender a Torá não se podia ter pressa, e, se um candidato a conversão tem pressa, é porque não a merece.

Shammai – No Talmud se diz: “Que os homens sejam sempre humildes e pacientes como Hillel e não exaltados como Shammai.”. Isso soa como uma condenação, mas, na verdade, é como um conselho: “Se você é como Shammai, e suas motivações são puramente por uma questão do Céu e do bem de Israel, então pode ser tão severo com os outros como ele era.”. Entretanto, mesmo que não possamos compreender Shammai por completo, podemos tentar compreendê-lo apenas um pouco. Shammai – O Entendido. [3]

Fontes: [1] http://estudosjudaicos.blogspot.com/2008/06/quem-foram-hilel-e-shamai.html [2] Revista Morasha: http://judaismohumanista.ning.com/profiles/blogs/o-sabio-hilel-revista-morasha [3] Eterna Sefarad: http://zivabdavid.blogspot.com/2013/02/bet-hilel-e-bet-shamai.html

Sanhedrin é um termo que se refere a uma assembleia de juízes que desempenhava um papel de corte e legislativo na antiga Israel. A palavra vem do hebraico sanhedrîn e do grego synedrion, que significa "assembleia sentada". 

A Mishná é o código de leis orais passadas de geração a geração e foi escrita em hebraico. A Guemará é todo o comentário sobre estas leis orais e foi escrita em aramaico. O objetivo principal dos sábios do Talmud era o de delinear para o povo judeu um plano claro para uma forma total de vida.

A palavra hebraica “Halachá” é derivada do verbo “lalech”, que significa ‘ir’. Halachá é o código de lei judaica e contém “o caminho que deve ser seguido” na vida. Uma decisão que seja conforme com a Halachá quer dizer que está de acordo com as leis e diretrizes da Torá.

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